O Porto de Santos poderá entrar na rota do minério. O masterplan, plano mestre de expansão do complexo, identificou o potencial de movimentação desse tipo de carga em quatro novos terminais. A Codesp vai definir até meados deste ano se destinará áreas para este fim. Apresentado na última semana, o masterplan apontou que a Margem Esquerda (Guarujá) do Porto é o local ideal para as operações de minério. Foi indicada a construção de terminais para granéis sólidos minerais nos terrenos às margens do estuário ocupados pelas favelas Prainha e Conceiçãozinha, por parte do bairro do Itapema e pela região de Santa Rita.
Para o diretor de Planejamento Estratégico e Controle da Codesp, Renato Barco, o estudo de expansão sugeriu ao menos duas opções de carga para cada instalação. Nas quatro citadas, o granel mineral apareceu. E, dentro deste tipo de mercadoria, o minério de ferro foi estudado. Tem pequenos operadores que querem uma nova opção. Eles buscam alternativas, disse Barco, ao afirmar que a demanda portuária de minério está localizada em Minas Gerais. Para atender esse mercado em potencial, o diretor afirmou que o masterplan prevê também a construção de um minerioduto.
A tubulação traria o produto ao cais santista misturado à água, para não danificar o equipamento e facilitar o transporte das pedras. Ao chegar no Porto, o material seria direcionado diretamente ao navio, que depois bombearia dos porões e destinaria o resíduo para tratamento ou reuso. Mas, caso o terminal de Itapema receba este tipo de carga, as operações terão de ser focadas na ferrovia. Não tem lugar ali para movimentação intensa de caminhões. Tem que ser um terminal para carga de vagão.
FERTILIZANTES
A oferta de novos terminais para minério não é uma garantia. O masterplan não nos mostrou nenhuma carga nova tirando o minério, que de repente nem vinga no Porto. Para o diretor da Codesp, o plano mestre avaliou outras cargas dentro da categoria granel mineral. O fertilizante, por exemplo, é um grande concorrente do minério porque já precisamos pensar em alternativas urgentes. Já estamos no limite da nossa capacidade para este tipo de carga. A escolha sobre qual terminal abrigará a movimentação de minério, se assim for, ocorrerá até meados deste ano.
Segundo Barco, os técnicos da estatal avaliarão a melhor opção, baseando-se principalmente na acessibilidade dos produtos. Dimensionamos demanda, capacidade instalada e potencial de expansão. A gente tem um potencial enorme, mas os acessos precisam ser feitos. Ao definir as cargas para cada área listada no masterplan, a Codesp irá formular uma proposta de Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto, que terá de ser submetida e aprovada pelo Conselho de Autoridade Portuária (CAP).
Jornal A Tribuna