
O Conselho de Administração da Petrobras aprovará no dia 30 de novembro o Plano Estratégico 2023-2027, que pelo segundo ano consecutivo irá assegurar aumento dos investimentos. Fontes da petroleira confirmaram que o aporte de recursos será maior que os US$ 68 bilhões reservados para o quinquênio 2022-2026, enquanto a cifra destinada à área de E&P registrará um crescimento próximo de 15% em relação ao valor anterior de US$ 57 bilhões.
O PE 2023-2027 será aprovado pelo Conselho de Administração no apagar das luzes do governo de Jair Bolsonaro e em meio ao processo de transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Diante das diferenças de estratégias dos dois governos, o novo PE promete ter vida curta em uma série de questões, sobretudo em relação ao que diz respeito ao programa de desinvestimento e alguns cronogramas.
De acordo com fontes do alto escalão da Petrobras, o documento foi apreciado e aprovado pela Diretoria Executiva da petroleira na semana passada, dependendo apenas da análise e apreciação dos conselheiros.
Sem grandes mudanças de diretriz, o PE-2023-2026 manterá foco na área de E&P, trazendo, de quebra, um enfoque ainda mais direcionado à captura de carbono, uso e armazenamento (CCUS). Embora contemple aumento dos investimentos, o novo PE não trará nenhum redirecionamento estratégico, mesmo diante do cenário de transição energética, sem dar atenção especial ao segmento de energias renováveis.
Apesar da curiosidade do mercado em relação aos novos indicadores e da Petrobras reforçar que a companhia segue trabalhando normalmente, o PE 2023-2027 a ser divulgado é visto como uma espécie de plano temporário, com validade efêmera. É dado como certo que, a exemplo de outros períodos da empresa, que, em 2023, a futura gestão lançará uma atualização do documento, revendo alguns pontos do plano.
Como nos planos anteriores, a área de E&P da companhia seguirá responsável pela maior parte dos investimentos, sendo que nesta revisão está previsto o crescimento da parcela destinada à atividade de exploração. O incremento será motivado, sobretudo, pela investida da petroleira na Margem Equatorial.
No segmento de desenvolvimento da produção, além das 15 unidades já divulgadas no PE 2022-2026, serão incluídos pelo menos os outros seis FPSOs P-83, já contratado junto à Keppel para o módulo 11 de Búzios, Sergipe Águas Profundas 2, Albacora, Sépia, Atapu e Tupi. A Petrobras irá ao mercado para afretar também o FPSO de Sergipe Águas Profundas 1, mas o projeto já estava previsto no plano anterior.
Uma das incertezas do novo plano no segmento de desenvolvimento da produção frente à transição de governo está relacionada à questão dos cronogramas de entrada em operação dos novos FPSOs. O governo eleito tem declarado que pretende dar atenção especial à questão do conteúdo nacional, o que pode acabar mexendo diretamente com as novas unidades por serem contratadas pela Petrobras.
Segundo fontes consultadas pelo PetróleoHoje, uma das possibilidades discutidas pela equipe técnica de campanha do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva seria adotar a estratégia de publicar aditivos aos editais já lançados, alterando o percentual de execução dos módulos no Brasil. A medida não paralisaria as licitações já em curso ou por serem lançadas, mas certamente traria impacto para o cronograma de entrega de proposta e, consequentemente, para a data de final de entrada em operação.
Outra área que terá aumento de investimentos, segundo apurado, é o Refino. Em termos percentuais, o aumento do segmento será maior que o da área de E&P. Fontes do alto escalão da petroleira sinalizam para um percentual de cerca de 20%. No plano 2022-2026, a área de Refino teve assegurada a cifra de US$ 6,1 bilhões.
O aumento de investimentos será alocado a obras nas refinarias destinadas à adequação de todas as unidades para produção de diesel S-10 e zerar a produção de diesel S-500. O PE 2023-2027 mantém a diretriz de desinvestimento de parte das refinarias, estratégia que conflita com o posicionamento já declarado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e pelo time da equipe de transição de Energia de ser contra a venda do parque de refino da petroleira.
A Diretoria Executiva da Petrobras já aprovou todos os pontos do PE 2022-2023. O processo depende agora exclusivamente do Conselho de Administração, que tem reunião marcada para apreciar os pontos finais do documento no dia 30 de novembro.
Por enquanto, a Petrobras tocou a revisão do PE 2023-2027 de forma totalmente independente, sem qualquer contato com a equipe de transição de Energia do presidente Lula. Na primeira quinzena de novembro, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) defendeu que a Petrobras suspendesse a elaboração do PE 2023-2027 pela atual gestão da companhia.
Minas e Energia em transição
Na terça-feira (22), em visita oficial ao atual ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, o senador Jean Paul Prates (PT-RN) e Maurício Tolmasquim, que coordenam o grupo de transição, solicitaram que fosse suspensa qualquer tipo decisão estratégica e estruturante da Petrobras, como a venda de ativos. O presidente da Petrobras, Caio Paes de Andrade, esteve reunido nesta quarta-feira (23), em Brasília, com o ministro Sachsida, reforçando que a companhia está à disposição do MME para o processo de transição.
Disposta a evitar potenciais crises, fontes confirmaram ao PetróleoHoje que a Petrobras decidiu suspender a liberação de novos teasers de desinvestimentos. A companhia pretendia lançar, nos próximos dias, o processo para venda de um ativo offshore de E&P de grande porte.
Em 2018, na transição do governo de Michel Temer para Jair Bolsonaro, Roberto Castello Branco participou do processo de transição da Petrobras, antes de assumir o comando da petroleira oficialmente em 2019. O executivo mantinha reuniões com diretores da petroleira e teve acesso aos indicadores do PE 2019-2023, que na ocasião reserva investimentos totais de US$ 84,1 bilhões para o período.
A divulgação de PE da Petrobras 2023-2027 ocorrerá em meio ao clima de expectativa em relação ao anúncio da escolha do novo ministro de Minas e Energia e do presidente da Petrobras. Com a mudança de governo, a alta cúpula da petroleira será totalmente trocada.
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva declarou, durante o período de campanha, ser contra ao atual programa de desinvestimentos da Petrobras, sobretudo no que diz respeito às refinarias e às políticas de distribuição de dividendos e de aumento de combustíveis praticadas pela empresa. Lula afirma que pretende fortalecer a Petrobras, ampliando os investimentos em energias renováveis, construindo novas refinarias e ampliando a área de E&P.
O governo eleito, afinal, vê a Petrobras como indutora do crescimento econômico e energético do Brasil.
Fonte: Revista Brasil Energia