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Clippings - 10/09/14

Plano revê projeções para produção de petróleo no país

A equipe da presidente Dilma Rousseff tem demonstrado otimismo em relação ao desenvolvimento das reservas de petróleo, mas estudos do próprio governo mostram uma cautela maior do corpo técnico do Executivo. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, revisou suas projeções e cortou em quase 600 mil barris diários as estimativas de produção de petróleo no Brasil para os próximos dez anos.

Os dados da versão preliminar do Plano Decenal de Energia (PDE) 2014-2023, colocada ontem em consulta pública, continuam a indicar um crescimento expressivo da indústria de óleo e gás no perãodo. O tamanho da produção nacional, contudo, foi reduzido em cerca de 11%.

De acordo com o PDE, a produção nacional de óleo deve mais que dobrar até 2023, dos atuais 2,2 milhões de barris diários para os 4,893 milhões de barris/dia em 2023. Na última versão do plano, a EPE estimava produção de 5,469 milhões de barris/dia em 2022. A diferença, de 576 mil barris diários, é maior que a produção atual do pré-sal.

Com a redução das estimativas de produção, a EPE também revisou para baixo o número de novas FPSOs (unidades flutuantes de produção) previstas para entrar em operação nos próximos dez anos. A expectativa do governo é que o mercado demande 74 novas unidades de produção. A última versão do PDE projetava 97 novas FPSOs até 2022.

A EPE não cita os motivos para a revisão da previsão, mas o plano indica um declínio mais acentuado da produção nos campos já em desenvolvimento ou em operação. A expectativa da estatal é que as reservas atuais produzam 2,462 milhões de barris/dia em 2022, 220 mil barris/dia a menos que o estimado no ano passado.

No mercado de gás natural, o governo projeta mudanças na indústria, com o início da produção de gás não convencional em 2020. A EPE prevê uma produção de 14,94 milhões de metros cúbicos diários desse tipo de gás em 2023. Já a produção bruta de gás convencional deve crescer 115%, para 205 milhões de m3 /dia em dez anos. A produção líquida (que desconta o volume de gás reinjetado e queimado) deve alcançar 134,3 milhões de m3 /dia no perãodo, com queda de 10,3% em relação à estimativa no PDE 2022, de 149,8 milhões de m3 /dia de gás natural.

A revisão das estimativas de produção de petróleo e gás para os próximos dez anos pode ter sido o principal fator para a redução do peso do segmento no volume total de investimentos necessários para o setor energético até 2023. Segundo o plano divulgado ontem, a indústria de petróleo e gás receberá R$ 879 bilhões no perãodo, o equivalente a 69,6% do total previsto para o setor de energia – R$ 1,263 trilhão. No PDE 2022, os investimentos previstos para a indústria petrolífera (R$ 835 bilhões) respondiam por 72,5% do volume total de recursos – R$ 1,151 trilhão.

No novo plano, o setor elétrico deverá receber uma fatia de 23,8%, totalizando R$ 301 bilhões. Dessa cifra, R$ 223 bilhões são previstos para a área de geração de energia, enquanto o setor de transmissão deverá contar com R$ 78 bilhões.

A capacidade instalada do parque gerador brasileiro crescerá 57% até 2023, alcançando 195,9 gigawatts (GW) ao fim do perãodo. O estudo, porém, reduziu a previsão de aumento da capacidade de hidrelétricas no país, em relação à versão anterior do plano.

O PDE 2022 previa um crescimento de 40% da capacidade hidrelétrica, alcançando 119 GW em 2022. O novo plano estima um aumento de 36% da oferta de energia das hidrelétricas, chegando a 116,9 GW, em 2023.

A desaceleração do ritmo de crescimento da oferta hidrelétrica é compensada pela revisão para cima do aumento da capacidade instalada de térmicas convencionais e projetos de fontes renováveis complementares. A capacidade de térmicas deverá crescer 46% até 2023, para 28,4 GW. No plano anterior, a expectativa era de aumento de 29%, totalizando 22,5 GW, em 2022.

Já as fontes complementares – pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa, eólicas e solares – têm crescimento previsto de 172% da capacidade até 2023, para 47,2 GW. A expectativa no plano anterior era de um aumento de 149%, para 38,1 GW.