unitri

Filtrar Por:

< Voltar

Clippings - 12/03/13

Por apoio à MP dos portos, governo propõe bolsa para trabalhadores

Para ganhar o apoio dos trabalhadores à medida provisória (MP) 595 – que reformula os portos
abrindo espaço à iniciativa privada -, o governo vai propor uma bolsa para os portuários, a ser paga com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), e a extensão da representação sindical dos portos públicos para os privados.

A ideia é assegurar às entidades poder para negociar com os empresários direitos dos trabalhadores avulsos, incluindo a intermediação da mão de obra, o processo de dissídio e a negociação coletiva.

A vigência da MP dos Portos foi prorrogada por 60 dias, para dar mais tempo para o debate com o setor produtivo e os trabalhadores.

O pagamento da bolsa aos portuários atende à proposta de criar uma renda mínima para a categoria, conforme já ocorre em alguns portos da Europa.

Além da bolsa, o FAT deverá bancar cursos de qualificação para a categoria. O sistema de bolsa seria semelhante ao que existe hoje no chamado lay-off , a suspensão temporária do contrato, em que o FAT e as empresas ajudam a complementar o salário do trabalhador, quando há
paralisação da atividade. Também faz parte do pacote de medidas a fixação de um piso para a categoria.

Parecer segue para comissão
Ao GLOBO, o ministro do Trabalho, Brizola Neto, disse que a extensão da representação sindical vai ajudar a quebrar resistências da classe trabalhadora. Um dos principais pleitos dos sindicatos é obrigar os portos privados a contratarem trabalhadores via órgãos gestores de mão de obra, chamados Ogmos, o que é
considerado inviável pelo governo. A exigência é válida atualmente nos portos públicos e foi mantida na MP.

– O que não vai poder é terminal privado contratar avulso direto. Terá que negociar com o sindicato – disse o ministro.

Segundo ele, a ideia é incluir no texto da MP regras impedindo, por exemplo, a criação do sindicato dos trabalhadores da estiva dos portos privados.

O ministro disse que o governo quer assegurar que a extensão da representação sindical não elevará os custos de contratação para o setor. Um dos objetivos da MP é justamente reduzir custos e tornar os portos do país mais competitivos, lembrou.

Ainda esta semana, a pasta deverá enviar seu parecer completo à mesa de negociação da comissão mista que trata do tema. Está marcada um reunião com representantes dos trabalhadores e líderes dos partidos
políticos para fechar um acordo.

Caso isso não seja possível até a próxima sexta-feira, os portuários, liderados pela Força Sindical, ameaçam fazer uma greve de 24 horas no dia 19.

O Ministério da Previdência também estuda a criação de um Encargo Previdenciário da União (EPU) para facilitar a aposentadoria de portuários em idade avançada e que não têm tempo suficiente de contribuição para o INSS, o que acarretaria perda de renda.

A proposta encaminhada pela Casa Civil prevê um benefício limitado ao teto do INSS (hoje em R$ 4.157), e o cálculo do benefício seria baseado na média dos últimos 12 salários.