Parceria internacional
Porto de Roterdã fará ‘road show’ com 200 empresas estrangeiras para atrair investimentos para Pecém
O Porto de Roterdã pretende apresentar representantes de 200 empresas estrangeiras aos administradores do complexo de Pecém. O CEO da Port of Rotterdam, Allard Castelein, disse em outubro, em Fortaleza (CE), que e experiência e a boa reputação do porto holandês no mundo criam confiança para empresas que queiram investir em mercados em potencial pelo mundo. Ele destacou o sucesso de parceria semelhante com o Porto de Sohar, no Omã, onde Roterdã também tem participação. O governo do Ceará e Castelein firmaram acordo de parceria para gestão conjunta da Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP).
“Usaremos nosso networking para trazer essas empresas internacionais para conhecer e se beneficiar das oportunidades das atividades do Porto de Pecém”, disse Castelein durante coletiva de imprensa na sede do governo cearense, após assinatura da parceria. Segundo o executivo, os investimentos portuários precisam de visão de longo prazo. Ele acrescentou que os portos de 2018 demandam agilidade, segurança, eficiência, sustentabilidade e até soluções digitais.
A previsão é que Roterdã investirá 75 milhões de euros, o equivalente a R$ 323 milhões, nos próximos anos, conforme o câmbio atual. Desse total, R$ 90 milhões são destinados à conclusão de obras do porto, como ampliação de berços e conclusão da segunda ponte, que dá acesso ao terminal multicargas (TMULT). “Queremos que esses investimentos possam garantir a ampliação e a organização e possam gerar resultados mais eficientes na operação”, disse o governador do estado, Camilo Santana (PT).
O presidente da CIPP, Danilo Serpa, diz que o complexo de Pecém está pronto para receber indústrias e empresas de porte internacional. Ele acredita que, com a segunda ampliação que está perto de ser entregue, a capacidade portuária praticamente dobre em relação a 2002, quando o porto começou a operar. “Essa parceria vai facilitar as relações com as maiores empresas”, destaca.
Representantes dos dois portos se reúnem no próximo dia 9 de novembro na Europa para consolidar o acordo, que vem se desenhando desde 2015. A Port of Rotterdam terá 30% de participação na CIPP. O Porto de Roterdã fará parte do controle conjunto das decisões estratégicas e terá posições na diretoria executiva, no conselho fiscal e no nível gerencial das operações na CIPP, onde o estado será o acionista majoritário.
Nesse processo, o Ceará fez adequações na legislação e na estrutura administrativa do complexo de Pecém e da Cearáportos. Pela nova formatação, a CIPP ampliou a atuação da antiga administradora, ficando vinculada à secretaria estadual de desenvolvimento econômico. O governo estadual enfatizou que o controle do porto cearense continuará sob a administração do estado.
O Porto de Roterdã é considerado o maior hub logístico e industrial da Europa e o oitavo maior do mundo, com movimentação de 450 milhões de toneladas de cargas por ano e ocupando 12.500 hectares de extensão. O porto, que tem 80 terminais e mais de 120 indústrias em seu complexo, movimenta uma série de cargas, como contêineres, granéis sólidos e líquidos.
O complexo de Pecém tem 30 empresas, sendo 17 indústrias, além de uma zona de processamento de exportação (ZPE) e da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). Além de Pecém, o Ceará fechou parcerias importantes com empresas estrangeiras no setor aéreo, por meio da expansão das operações das parceiras Air France/KLM/Gol, e na área de telecomunicações, com os cabos de fibra ótica da Angola Cables.
O governo do Ceará lançou, também em outubro, uma licitação para transferência da tancagem do Porto de Mucuripe para o Porto de Pecém. O estado alega perder muito com a armazenagem de granéis líquidos em Mucuripe e espera expandir a capacidade de combustíveis atual. “Existem empresas internacionais que se aproximaram para participar desse processo por causa das perspectivas de parcerias com Roterdã”, disse Santana.
Na abertura dos envelopes referente ao edital para a escolha do parceiro privado para o projeto de viabilização de um novo parque de tancagem de combustíveis e gases derivados de petróleo, a Vopak e o consórcio Transpetro/BR Distribuidora/Liquigás apresentaram documentos de habilitação e o plano de negócios. As propostas serão avaliadas pela comissão de análise do procedimento da chamada pública. Até o fechamento desta edição o resultado ainda não havia sido divulgado.
Em setembro, o Porto de Pecém registrou o crescimento de 4% nos embarques e de 7% nos desembarques de mercadorias, na comparação com o mesmo mês de 2017. Nos nove primeiros meses do ano, foram movimentadas 13,1 milhões de toneladas por meio do porto cearense, 13% a mais que em igual período do ano passado.
O desembarque de cargas passou de 8,9 milhões de toneladas em 2017 para 10 milhões de toneladas em 2018, enquanto o embarque de cargas apresentou aumento de 12%, acumulando alta da ordem de três milhões de toneladas. Entre as principais cargas movimentadas em Pecém, o destaque foram os graneis sólidos, que representam 62% das movimentações, seguido de carga geral solta (20%), carga conteinerizada (16%) e os graneis líquidos (2%). As placas de aço produzidas pela siderúrgica são uma das cargas mais movimentadas através do Pecém. O total de placas movimentadas este ano é de 2,27 milhões de toneladas. Entre os principais destinos da mercadoria estão: Estados Unidos, Turquia, Coreia do Sul e Polônia.
Por Danilo Oliveira
Fonte: Revista Portos e Navios