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Clippings - 30/06/16

Porto de Suape na boa rota do Canal do Panamá

Após anos de espera, as obras de alargamento do Canal do Panamá foram inauguradas no último final de semana. O projeto torna a via navegável pelos maiores navios cargueiros do mundo, já que o canal ficou mais largo e profundo. A operação pode trazer novos negócios para o Porto de Suape e ainda para o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), que esta semana teve a confirmação do cancelamento da construção de sete navios encomendados pela Transpetro, subsidiária da Petrobras.

“O projeto do Panamá é ir além da travessia. Para eles, a ideia é atrair novos negócios, inclusive empresas estão se instalando nas proximidades. Com uma localização estratégica, o Porto de Suape se torna uma opção estratégica para essas embarcações e o Atlântico Sul pode ter ganhos também. Esses navios precisam de reparos, que podem ser realizados pelo empreendimento pernambucano”, afirmou o professor adjunto de Engenharia Naval da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Marcos Pereira.

Segundo o professor, o EAS também possui capacidade para fabricar estes navios de grande portes. “Hoje, o EAS é prioritariamente voltado à construção de navios. O canal pode atrair novos contratos para o empreendimento”, pontuou. Os navios que utilizam o Canal do Panamá são os chamados Panamax, que têm cumprimento máximo de 294 metros e transportam até 65 mil toneladas de cargas que variam de alimentos a automóveis. Graças à abertura das novas reclusas o canal também receberá os ‘neo panamax’, super cargueiros de até 366 metros de extensão e 49 metros de largura.

Os dois tipos de embarcações podem optar por incluir o Porto de Suape na rota. “A tendência é que os armadores utilizem navios com calado de 15 metros, que dá uma maior viabilidade logística à rota. O Porto de Suape possui um calado entre 15 e 19 metros. Então, temos potencial para atender a estes novos gigantes marítimos”, ressaltou o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco e presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Thiago Norões.

Segundo o executivo, aindada não há como estimar um aumento no fluxo de mercadorias, porém, a tendência é a substituição de navios menores por maiores. “Suape está em uma posição estratégica para rotas da navegação de longo curso por ser um porto concentrador de cargas. Estamos inclusive incluindo este novo fluxo de navios cargueiros de maior porte na revisão dos estudos de viabilidade do segundo terminal de contêineres”, contou.

O estudo em questão está sendo realizado por técnicos do complexo e será entregue em cerca de 60 dias à Secretaria Especial de Portos, do governo federal, que é responsável pelo processo licitatório. O que se espera é que o projeto seja licitado até o final do ano. O Tecon II, como o projeto é conhecido, irá aumentar a capacidade total de movimentação de 700 mil TEUs (unidade de medida de contêineres) para 1,7 milhão de TEUs/ano. Em 2015, a movimentação de cargas no Tecon chegou a 400 mil TEUs.