Grupo americano Edison Chouest Offshore (ECO) investirá R$ 950 milhões em implantação de terminal em antigo complexo da LLX.
O Porto do Açu, em São João da Barra, litoral norte do Rio de Janeiro, terá uma base de apoio offshore no ano que vem. Criada pela americana Edison Chouest Offshore (ECO), o investimento é de R$ 950 milhões e será assinado no início do mês pela Prumo Logística Global (antiga LLX), pode ser a porta de entrada para Petrobras no Açu, já que o grupo presta serviços para a estatal.
A empresa americana é forte candidata à licitação prestes a ser aberta pela petroleira para contratar seis berços de atracação de embarcações de apoio para a Bacia de Campos. A ECO chegou a vencer uma concorrência recente para operar outros dois berços, mas desistiu porque ainda não tinha um contrato firme com o Açu para montar sua base.
Assinar com a Edison Chouest não é uma garantia de que a Petrobras irá para o Porto do Açu, mas será uma surpresa se ela não for, diz o presidente da Prumo, Eduardo Parente.
Para o executivo, a instalação do grupo irá atrair a petroleira e outras empresas da cadeia de óleo e gás. A Edison Chouest é a primeira companhia a decidir se instalar no Porto Açu após a entrada da EIG Global Energy Partners, que passou a controlar a Prumo em outubro passado. O último contrato havia sido fechado em março de 2013 com a Wärtsilä.
A expectativa é que a base offshore comece a operar no início de 2015. O contrato prevê um arrendamento da área por 15 anos. A unidade poderá receber 12 embarcações de início, mas tem a possibilidade de ampliar a capacidade a 18 com uma futura expansão.
Ao todo a companhia ocupará 255 mil metros quadrados no complexo e deve gerar 900 empregos. O projeto ocupará 440 metros de cais no Terminal 2 (T2) do açu, com opção de duplicação. O canal de navegação usado pela ECO tem 3.721 metros e também será utilizado por outras empresas instaladas, como Wärtsilä, Technip, NOV e Intermoor. A Prumo aguarda apenas o sinal verde da Marinha para dar início às operações no canal, o que deve ocorrer em até dois meses.
Não existe hoje, no Brasil, infraestrutura para o atendimento de unidades marítimas de forma técnica. A posição geográfica do Açu é fantástica. Traz economia de escala em redução de tempo e combustível, diz Ricardo Chagas, diretor da Edison Chouest. O Açu está a cinco horas de distância contra oito de concorrentes, o que significa economia de escala em tempo e combustível.
Fornecedor global
Fundada na década de 60 na Louisiana, Estados Unidos, a ECO é um dos principais fornecedores globais de transporte marítimo offshore. O grupo opera uma frota de mais de 230 navios no mundo, com uma receita anual de U$ 8 bilhões. No Brasil, são 70 embarcações de apoio em offshore em operação para Petrobras, Shell, Queiroz Galvão, Total, Repsol e Statoil, dez Veículos de Operação Remota (ROVs) e um estaleiro em Navegantes (SC), onde constrói seis embarcações por ano e hoje tem em carteira 19 navios em construção.
A expectativa é que, em cinco anos, a operação no Açu represente 20% do faturamento anual da Edison Chouest no País, hoje de US$ 1,6 bilhão.
O aporte de R$ 950 milhões de companhia será destinado a montar uma infraestrutura de galpões e tanques capaz de armazenar materiais utilizados nas plataformas de petróleo como água, lama e tubos de aço.
Eduardo Parente, que assumiu o comando a Prumo há menos de dois meses, se mostra entusiasmado com as perspectivas de crescimento do porto. (O acordo com o grupo americano) coroa um novo momento da empresa, afirmou.
O executivo lembra que o ambiente hoje é de maior confiança sobre os rumos da companhia após a também americana EIG ter assumido o controle da Prumo – antes nas mãos do empresário Eike Batista -, que recebeu um aumento de capital R$ 1,3 bilhão e R$ 900 milhões em novos empréstimos.
Tínhamos uma situação de como pagar a conta e chegou um grupo americano, que colocou o dinheiro aqui. A obra voltou a andar de forma acelerada, explicou. O contrato assinado neste mês com a fera do mercado offshore, como é chamada a Edison Chouest por Parente, foi negociado pessoalmente pelo executivo, que chegou a ir à Louisiana.
Depois de fechar esse contrato, que dará um bom fôlego financeiro à Prumo, a prioridade de Parente é o desenvolvimento de novos negócios no Açu: uma unidade de reparo naval para plataformas com grande profundidade, um terminal de transbordo de petróleo e a atração de empreendimentos na área de energia como a instalação de termelétricas. O Açu já tem um terminal de gás natural liquefeito (GNL) licenciado, que poderia ajudar a abastecer as usinas.
A análise do grupo é que as novas frentes têm potencial de geração de receita superior ao simples aluguel de áreas, além de serem indutoras para atração de outras companhias, como fornecedores.