Um novo caminho. Operários trabalham num trecho da Avenida Binário, com o Túnel da Saúde ao fundo: obras fazem parte do projeto de revitalização da Zona Portuária
Paula Giolito
REVITALIZAçãO EM MARCHA
Após dois anos de obras, a primeira grande avenida do projeto Porto Maravilha será aberta ao tráfego no dia
30 de setembro: com 3.500 metros de extensão, a Via Binário é paralela à Avenida Rodrigues Alves.
E será inaugurada sem o Túnel Oscar Niemeyer, que só ficará pronto em junho de 2014. Até lá, a pista em direção
ao Viaduto do Gasômetro funcionará a partir da Rua Silvino Montenegro e, no sentido oposto, rumo à Avenida
Rio Branco, será utilizada plenamente.
Segundo a prefeitura, a abertura e o bom funcionamento da Binário do Porto são fundamentais para a demolição da Perimetral, prevista para o fim do ano.
O atraso na entrega das obras ocorreu por determinação da prefeitura – a demolição da Perimetral estava
prevista para começar este mês -, que optou por não fazer grandes intervenções no trânsito durante a Copa
das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
– Sem a Binário, fica impossível derrubar a Perimetral. Ela vai servir como alternativa para quem passa pelo
viaduto, que vai ser demolido até o final do ano. Antes disso, precisamos fazer testes e simulações no trânsito
– diz o prefeito Eduardo Paes.
O movimento de operários e tratores é intenso. No trecho mais adiantado, onde fica o Túnel da Saúde, já dá
para ter uma ideia de como vai ficar. As duas galerias, com 80 metros cada, estão prontas. Quem passar ali
verá, de um lado, a estrutura do futuro prédio do Banco Central e, do outro, as obras do AquaRio, que está
sendo construído no antigo frigorífico Cibrazem.
– Estamos fazendo testes de carga, afinal teremos ali um tanque de quatro milhões de litros de água, o maior
da América Latina. Vamos cumprir o cronograma, inaugurando em novembro de 2014 – garante Sávio Neves, um dos diretores do AquaRio. – Na fachada, manteremos o símbolo do frigorífico, que é um urso polar.
Com a abertura da Binário, uma nova paisagem se descortina diante dos olhos de motoristas e pedestres. A
começar pelo Morro da Saúde, hoje visto à distância. Lá estão alguns resquícios de uma antiga fábrica e a
Igreja de Nossa Senhora da Saúde, erguida em 1742 por Manoel da Costa Negreiros, um traficante de escravos.
– É uma igreja barroca linda e tinha um conjunto de azulejos portugueses belíssimo. O Morro da Saúde faz
parte da história da Zona Portuária. O lugar inicialmente era ocupado por chácaras, e, logo abaixo, tinha o
mar. Depois a região foi transformada numa área industrial e ali foi construída uma fábrica – diz o historiador
Nireu Cavalcanti.
Mais adiante, em direção ao Centro, fica a sede do Moinho Fluminense, um conjunto de cinco prédios que
funciona ali desde 1887. Os carros vão passar sob um de seus pórticos. Nesse cenário cultural da Binário do
Porto, ainda estão a Cidade do Samba e a bucólica Praça da Harmonia.
Pela pistas da nova avenida, deverão circular até 4.500 veículos por hora em cada sentido. A previsão é que,
no início, esse número seja bem menor, já que a Rodrigues Alves e a Perimetral continuam funcionando.
Com a abertura do Túnel Oscar Niemeyer, que tem 1.480 metros de extensão, o motorista acessará a via pela Primeiro de Março (no sentido Gasômetro) .
A Binário será acompanhada em toda a sua extensão pelo VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que deverá ser
inaugurado em 2015. Já em 2016, entrará em cena a Via Expressa, maior avenida do Porto, com 5
quilômetros.
Outra obra que vai de vento em popa é a do Museu do Amanhí, projeto do arquiteto espanhol Santiago
Calatrava. Mais de 500 operários trabalham inclusive à noite. As paredes curvas do museu, que será
dedicado às ciências, já ganham forma.
– A obra do Calatrava é muito complexa, como um lego mais elaborado, porque as peças são curvas e de
grandes dimensões. É praticamente um trabalho manufaturado – diz Luiz Carlos de Souza Lobo, diretor de
operações da Concessionária Porto Maravilha.