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Clippings - 19/06/24

Portos brasileiros firmam parcerias e apostam em projetos para aproveitar oportunidades com hidrogênio verde

Portos brasileiros vêm apostando no desenvolvimento do hidrogênio verde (H2V) com diferentes finalidades, desde exportação ao uso para o setor industrial. Os últimos anos foram de muita pesquisa, capacitação e visita a instalações de outros países para conhecer melhor a dinâmica e firmar acordos com potenciais parceiros. Agentes e especialistas acreditam que a matriz energética brasileira, majoritariamente renovável, contribui para o processo de produção de hidrogênio de baixo carbono. O marco regulatório vem sendo discutido no Congresso desde o ano passado.

Em maio, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e o secretário nacional de portos e transportes aquaviários, Alex Sandro de Ávila, realizaram uma visita técnica ao Complexo do Pecém (CE). O objetivo da visita foi conhecer os projetos voltados para energias renováveis, que podem servir de exemplo para outras autoridades portuárias. A instalação conta com infraestrutura robusta e localização geográfica privilegiada, destacando-se por abrigar os primeiros projetos de H2V do setor no Brasil.

Costa Filho ressaltou a importância estratégica do porto como um hub, possibilitando um canal direto com a Europa, viabilizando o transporte e exportação do hidrogênio para o velho continente. “Não tenho dúvidas de que o Porto do Pecém será uma referência mundial em hidrogênio verde, e queremos exportar essa tecnologia para os países europeus e demais interessados”, declarou o ministro.

Ávila destacou os investimentos no complexo em relação a projetos de energias renováveis, especialmente o hidrogênio verde. “Estamos investindo na proposta econômico-financeira para permitir que tenha um custo acessível e, assim, posicionar o Brasil na vanguarda da competitividade no fornecimento de energia renovável, como o hidrogênio verde, para o mundo”, disse o secretário.

O Complexo do Pecém (CE), que é gerido pela Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP S/A), é fruto de uma joint venture formada pelo governo do Ceará e pelo Porto de Roterdã, na Holanda. O complexo hoje tem seis pré-contratos assinados com as empresas AES, Casa dos Ventos, Cactus Energia, Fortescue, Voltalia e uma outra que ainda não teve nome divulgado, além de mais algumas em processo de negociação dentre mais de 35 memorandos de entendimento assinados. 

Esses pré-contratos assinados somam mais de US$ 8 bilhões em investimentos até 2030. O presidente do Complexo do Pecém, Hugo Figueirêdo, estima que esse montante deve duplicar a quantidade de empregos diretos e indiretos na região, que hoje é de 80 mil. “Tem mais de 19 mil hectares de área, possui infraestrutura robusta, localização geográfica privilegiada e desponta também como a casa do hidrogênio verde no Brasil, já que abriga os primeiros projetos do setor no país”, afirma Figueirêdo. 

O Complexo do Pecém é composto por três grandes frentes: área industrial, que possui algumas das principais unidades fabris do Nordeste brasileiro; Porto do Pecém, um terminal offshore de classe mundial; e ZPE Ceará, a primeira zona de processamento de exportação a operar no Brasil e que possui uma nova área de mais de 1,9 mil hectares para receber novos investimentos. É nessa área que serão instaladas as empresas que produzirão H2V no Pecém.

As seis empresas com pré-contratos assinados estão em fase de planejamento de seus projetos. A Fortescue e a Casa dos Ventos já apresentaram e tiveram aprovadas suas licenças prévias de instalação. A AES tem audiência pública agendada para o começo de junho. Figueirêdo explica que os pré-contratos são reservas das áreas, as empresas já estão pagando pelo aluguel enquanto finalizam seus projetos e têm até 2025 para tomarem suas decisões finais e assinarem contratos definitivos, iniciando a produção a partir de 2027.

Para receber as empresas que produzirão hidrogênio verde no Pecém, a estrutura do Complexo será modernizada. Será criado um corredor de utilidades por onde vão circular os dutos de amônia, gás natural, hidrogênio, água e a rede de energia elétrica. O píer 2 e o terminal de múltiplas utilidades do porto devem sofrer adaptações para a operação de amônia e outros derivados do hidrogênio verde. 

Além disso, uma nova subestação com linha de transmissão deve ser construída para garantir energia suficiente para os eletrolisadores (onde é produzido o H2V). Também será desenvolvido um centro de inovação em combustíveis renováveis no Pecém. Esses projetos terão financiamento de US$ 90 milhões do Banco Mundial, US$ 35 milhões do CIF (Climate Investment Funds) e contrapartida de R$ 750 milhões da CIPP S/A. 

Além disso, R$ 1,2 bilhão serão desembolsados pelas empresas de utilidade instaladas no Pecém, incluindo energia elétrica, água de reúso e outros segmentos ligados à infraestrutura de apoio para hidrogênio verde e amônia. Figueirêdo ressalta que esses investimentos beneficiarão o complexo como um todo. “Nesse processo de instalação do hub de H2V, estamos nos preparando para produzir e exportar o hidrogênio, enquanto o Porto de Roterdã está se preparando para receber e distribuir pelo mercado europeu”, avalia Figueirêdo. 

Ele destaca que o Porto do Pecém e o Porto de Roterdã constituirão a rota de exportação/importação de H2V mais próxima entre a América do Sul e a Europa. Isso foi reforçado pelo acordo ‘Corredor H2 Verde’, assinado pelo primeiro-ministro dos Países Baixos, Mark Rutte, e o governador do Ceará, Elmano de Freitas, em maio de 2023. 

A produção estimada de hidrogênio verde do Complexo do Pecém deve chegar a um milhão de toneladas/ano em 2030, um potencial para atender a 25% da demanda de importação de Roterdam. “Internamente, devemos ter a alimentação de navios por energia elétrica até o fim do ano, com energia renovável certificada, quando atracados. Temos também um projeto de abastecimento de amônia e metanol para navios adaptados”, elenca Figueirêdo.

No início, o hidrogênio verde produzido será para exportação. “A longo prazo, o que esperamos é não só exportar, mas usar parte desse hidrogênio para consumo interno e, dessa forma, também nos adequarmos às metas mundiais de transição energética”, projeta o presidente do Complexo do Pecém. 

Ele conta que Pecém enxerga oportunidade de agregar valor e explorar produtos de valor ainda mais agregado como aço verde, fertilizantes nitrogenados, combustíveis sintéticos, além de equipamentos da própria cadeia produtiva do H2V. A avaliação é que o hub de hidrogênio verde tem potencial para transformar a realidade não apenas de grandes empresas instaladas no Pecém, mas também de pequenos produtores de energias renováveis. “Uma oportunidade que não é apenas para os grandes empresários e para os grandes investidores, mas para todo o povo cearense, incluindo o pequeno gerador de energia no interior do Ceará”, salienta Figueirêdo.

O Complexo de Suape (PE) lidera o projeto de uma plataforma de pesquisa, desenvolvimento e inovação com o objetivo de desenvolver novas rotas tecnológicas para produção de hidrogênio verde (H2V). O ‘TecHub’, parceria com o Senai-PE e Senai-DN, será voltado para a implementação de projetos inovadores nas áreas e na formação de mão de obra qualificada voltada para o segmento, que está em ascensão no Brasil. O empreendimento está em fase de instalação e tem início das operações previsto para janeiro 2025, em um terreno de 1,38 hectare, a um quilômetro do edifício-sede da administração portuária local.

A diretora de inovação e transformação digital de Suape, Adriana Martin, destaca que o porto está trabalhando para se consolidar como hub de H2V na região Nordeste e que o complexo portuário e industrial adota medidas para o atendimento aos projetos eletrointensivos, sejam de logística marítima, sejam para produção de hidrogênio verde.

Atualmente, existem duas plantas de hidrogênio em operação no complexo, ambas operadas pela empresa White Martins, e o produto é destinado a processos industriais. Uma delas é apontada como a primeira da América do Sul a produzir H2V em escala industrial certificado internacionalmente, em dezembro de 2022. O projeto do novo terminal de contêineres de Suape, a ser operado pela APM Terminals, prevê o uso e abastecimento de navios com combustíveis verdes. O início das operações do novo Tecon está previsto para 2026.

Já a European Energy, empresa de energia renovável, implantará no porto uma estrutura para a produção e-metanol. A empresa vai construir uma planta que deve operar no segundo semestre de 2026 focada no mercado exportador, especialmente no abastecimento da nova linha de navios de grande porte.

Adriana conta que, além dos parceiros do TecHub e da European Energy, o porto mantém diálogo com diversos players do segmento. Suape também participa da Aliança Brasileira para a Descarbonização Portuária. 

O porto pernambucano coordena um dos grupos de trabalho (GT) sobre o tema com o Porto de Paranaguá (PR) e o Porto do Itaqui (MA). Além de Suape, também participam da iniciativa, o Porto de Pecém (CE); Portos do Paraná; Portos RS; Imbituba (SC); Companhia das Docas da Bahia (Codeba); Porto do Açu (RJ); Porto Sudeste (RJ); além de entidades representativas.

“Suape tem áreas disponíveis para empreendimentos, indústrias e armazenagens relacionados ao H2V. A estatal portuária dispõe de prazos alinhados com as estratégias das empresas interessadas”, afirma Adriana. Ela ressaltou que o Porto de Suape considera os projetos H2V e seus derivados como os combustíveis do futuro. “Armazenamento de energia, transporte sustentável, aplicações industriais e exportação de hidrogênio, são algumas das oportunidades que consideramos”, acrescentou.

A diretora disse que o complexo vem recebendo investimentos em infraestrutura, como o zoneamento de áreas para produção do H2V e em capacitação dos colaboradores envolvidos na temática. Além disso, as empresas do território estão comprometidas com o projeto da descarbonização, somando esforços para transformar essa alternativa sustentável em realidade. “Cada indústria tem os objetivos definidos, assim como as metas e orçamentos. Isso inclui o uso direto de fontes renováveis para o desenvolvimento da região” afirmou Adriana.

A Autoridade Portuária de Santos (APS) pretende fazer um chamamento para empresas interessadas numa parceria público privada (PPP) para a repotencialização da hidrelétrica Itatinga, que tem 113 anos e ainda está ativa, produzindo 15 MW de energia. A APS estima que a usina poderá produzir mais de 20 MW, como também o hidrogênio verde, produzido via eletrólise da água com energia de fontes renováveis. A APS entende que esse é um fator que contribuirá para reduzir os custos para produção do H2V.

A ideia de geração de H2V na usina que atende o porto santista é atender navios, como os de cruzeiros e de dragagem, que emitem CO2, mas que poderiam passar a utilizar o combustível não poluente quando no atracadouro. De acordo com a autoridade portuária, hoje existe um excedente de 8 MW, que pode abastecer bairros de Bertioga (SP). O tema vem sendo discutido pela APS e a prefeitura local.

A partir de instalação de um eletrolisador, junto à usina de Itatinga, a APS teria condições de produzir o hidrogênio verde com a água abundante que tem à disposição, depois armazená-lo, transportá-lo por vários modais, inclusive dutos, até os consumidores, que seriam os terminais portuários, navios acostados no cais, além de empresas, indústrias e moradias da região. Há também a possibilidade de exportar o excedente.

O Porto do Açu (RJ) aposta no hidrogênio verde como insumo fundamental para fomentar a industrialização de baixo carbono no Brasil. A administração do porto acredita que o diferencial é que, enquanto outros portos nacionais estão voltados para a exportação, o Açu pretende oferecer o hidrogênio verde para consumo interno industrial. Assim, dificuldades apresentadas pelo transporte e pelo armazenamento seriam mitigadas graças ao conceito de industrialização local, que atrai os consumidores interessados nesse tipo de energia para dentro do porto.

O Açu está pronto para abrigar um ecossistema com integração de negócios, para produzir amônia verde, metanol verde, óleo vegetal hidrotratado, fertilizantes e HBI (ferro briquetado a quente), empregado nos altos-fornos das siderúrgicas. Ao contrário de outros portos do mundo, que não têm espaço para onde crescer, o Açu tem 44 km² de área disponível para alocar empresas e projetos que atendam à transição energética. 

O complexo do Açu possui como atrativo uma área de um milhão de metros quadrados licenciada ambientalmente para a instalação de um hub de hidrogênio de baixo carbono. “Concedido pelo governo do Rio, o licenciamento é um facilitador para a instalação de empresas que queiram construir e operar plantas de hidrogênio verde no Porto do Açu, que futuramente se constituirá em um hub de hidrogênio, podendo abrigar diversas plantas de forma simultânea”, projeta a administração do complexo.

Em sinergia com os demais projetos de renováveis em andamento no porto, os projetos de derivados de baixo carbono poderão  ser alimentados pelas plantas de energia solar e pela chegada dos cabos de energia provenientes dos parques eólicos offshore na costa do Açu. Essa integração proporciona maior circularidade, eficiência e sustentabilidade, inclusive com a possibilidade de interligação ao Sistema Interligado Nacional (SIN), utilizando a infraestrutura já existente de linhas de transmissão do parque termelétrico abastecido por gás natural. 

A administração do complexo entende que, dessa forma, será possível a compra de energia elétrica limpa certificada. E, em um segundo momento, energia limpa produzida no porto poderá ser repassada também para o SIN. “Em paralelo, já assinamos acordos com os principais players de energia que desenvolvem projetos de hidrogênio no país, com expectativa de produção em 2026. São projetos com capacidade inicial de 10 megawatts (MW) de eletrólise, podendo chegar a 100 MW em uma fase posterior”, destaca a empresa.

A infraestrutura do Porto do Açu é um componente para acelerar o desenvolvimento de projetos de baixo carbono e para contribuir com os esforços de setores industriais de difícil descarbonização. Entre as companhias globais que desenvolvem projetos de hidrogênio neste porto-indústria estão acordos com: Equinor, SPIC Brasil e Comerc Energia, entre outros, em diferentes fases de maturação.

A ambição do Porto do Açu é que, até o final desta década, os projetos de baixo carbono estejam implementados, sendo um dos poucos portos no mundo com industrialização fóssil e renovável atuando concomitantemente. Para isso, o porto-indústria do Açu trabalha para atrair interessados em instalar plantas de hidrogênio verde, planta solar fotovoltaica, bases logísticas para o segmento de eólica offshore e biomassa, biogás, bem como siderúrgicas que possam aproveitar essa energia limpa e reduzir a emissão de carbono.

A empresa acredita que participar de cadeia completa da descarbonização, da produção do hidrogênio verde até seu uso dentro do porto nas plantas que serão instaladas, é uma possibilidade que, hoje, nenhum porto do mundo oferece. Na visão do porto, o Brasil pode produzir H2V em torno de US$ 1,5/kg em 2030 e US$ 1,25/kg em 2040, comparável a países como Estados Unidos, Espanha e Austrália.

O mercado estima que a produção de hidrogênio no Brasil seja suficientemente competitiva para exportar até quatro milhões de toneladas de hidrogênio em 2040 para a União Europeia e os Estados Unidos, capturando um mercado de até US$ 6 bilhões. Além de ser um vetor energético, o hidrogênio é um importante insumo para uso industrial, como nas indústrias química, siderúrgica e de cimento. O mercado interno pode ajudar a garantir a procura de H2 na região, permitindo às fábricas produtoras de H2 diversificar os mercados para além da exportação.

Para o desenvolvimento do hub de hidrogênio no Açu, a expectativa de investimento é de R$ 40 bilhões, ao longo do período de 20 anos. As perspectivas do Açu estão em linha com as expectativas do mercado em âmbito nacional. Segundo relatório da McKinsey, o hidrogênio verde contribuirá para a descarbonização da matriz energética global como combustível ou matéria-prima e criará uma oportunidade de investimento de US$ 200 bilhões no Brasil nas próximas duas décadas. 

A Petrobras avalia um projeto para exportação de metanol sintético, que será produzido a partir do hidrogênio verde e de CO2 biogênico, sem origem fóssil, proveniente de destilarias. O diretor de transição energética da Petrobras, Maurício Tolmasquim, diz que a empresa tem expectativa positiva para essa solução, que está em análise e depende de janelas internas de aprovação. Ele conta que existe uma transportadora internacional interessada em adquirir o produto.

Tolmasquim explica que o Brasil tem uma condição única porque o H2V é visto como muito competitivo, com potencial de ser produzido a baixo custo, além de uma grande fonte de CO2 que são as mais de 400 destilarias de açúcar e álcool que emitem CO2 biogênico, o que permitiria fazer a síntese do CO2 biogênico com o H2V para a obtenção do metanol.

“Como temos hidrogênio verde potencialmente barato e temos muitas destilarias, existe um grande potencial de produzir metanol para navios que tenham interesse nesse combustível”, afirmou Tolmasquim, durante o seminário ‘Transição Energética no Mar: Desafios e Oportunidades para o Brasil’, promovido pelo BNDES, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Marinha do Brasil, no Rio de Janeiro (RJ), no final de abril.

Para poder contar com esse novo produto em seu portfólio, a Petrobras estuda a construção de uma planta de produção de hidrogênio verde associada e formas de canalizar o CO2 da destilaria para produção do metanol. De acordo com Tolmasquim, essa planta deverá ser instalada em um local próximo do etanol e que conte com energia renovável, barata e abundante.

O diretor acrescenta que a Petrobras vem conversando com empresas que eventualmente possam ter interesse no ‘metanol verde’. “Ainda é um produto mais caro, tem que ser um cliente que aceita pagar um prêmio pelo produto. Esse cliente geralmente está lá fora. Depois, quando ganhar escala e baratear, o mercado brasileiro tem um potencial enorme”, analisa Tolmasquim.

A Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) estima que a votação do marco regulatório do hidrogênio verde pelo Congresso, desde o final do ano passado, traz a oportunidade de trazer R$ 70 bilhões para a economia nacional até 2030. Na visão da associação, a aprovação do marco legal com incentivos à indústria e segurança regulatória é essencial para tirar do papel os mais de 50 projetos para a produção do hidrogênio verde no país já apresentados.

De acordo com estudos da ABIHV, a indústria de hidrogênio verde para o Brasil tem potencial, inclusive, para se tornar uma ‘solução fiscal’ para o país. “Serão mais de R$ 70 bilhões até 2030 de superávit para a economia nacional. Recursos nacionais e estrangeiros que vão impactar em diversos setores, desde a indústria, passando pela logística, transportes, pesquisas e tecnologia”, destaca a associação em nota.

O entendimento da ABIHV, que reúne entidades e empresas do setor de hidrogênio verde, é que o arcabouço legal é fundamental para dar segurança aos investidores e aos contratos previamente acertados entre as companhias, nacionais e internacionais, e os governos de diversos estados brasileiros. Eles vão gerar investimentos, arrecadação, emprego e renda em diversos setores relacionados.

Um relatório recente da BloombergNEF apontou que a adoção de hidrogênio na produção de aço tem a possibilidade de descarbonizar mais de 40% da produção global até 2050. Esse cenário demandaria a produção anual de, pelo menos, 150 milhões de toneladas de hidrogênio. O documento conclui que produzir aço usando o hidrogênio verde pode ser uma alternativa mais econômica para atingir a meta de zero emissões até 2050. 

Para a ABIHV, esse estudo indica que o Brasil está entre os candidatos para sediar usinas siderúrgicas interessadas em fabricar aço com baixas emissões a um custo competitivo. Além das grandes reservas de minério de ferro, o Brasil tem como vantagem competitiva frente a outros países fontes de energia limpa e acessível, como a hidrelétrica, o que poderia resultar na redução dos custos de produção do aço à base de H2V. 

O segmento siderúrgico é responsável por cerca de 7% das emissões de carbono em todo o mundo, e se destaca como o principal consumidor industrial de carvão. Em 2022, o carvão representou 74% da demanda total de energia na indústria, seguido por eletricidade (14%) e gás natural (9%).

Um dos principais pontos de discussão no Congresso é se deve haver algum tipo de subsídio  para compradores e produtores de hidrogênio de baixa emissão de carbono. Por outro lado, entidades setoriais manifestaram ao longo do processo preocupação que as discussões do marco regulatório se arrastem por muito tempo e haja perda de oportunidades e fuga de projetos para outros países que estejam com a legislação mais amadurecida.

Fonte: Revista Portos e Navios