De acordo com Jorge Mello, presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), os portos brasileiros não precisam se adaptar a receber – pelo menos a médio prazo – navios da sexta geração de porta-containeres, que são embarcações para 15 mil unidades, do tipo supersize Maersk. Segundo ele, o tráfego desses megacarriers se limita a Ásia, Europa e Estados Unidos.
No entanto, os portos brasileiros, entre os quais Santos, Rio e Itaguaí, já estão fazendo dragagens e ampliando o cais e a retroárea para permitir a atracação de navios de 5a. geração, os super pós Panamax, com 8.600 containeres, como o Monte Cervantes, da Hamburg Sud, de 7.090 containeres, que já atracou em Santos.
Em relação a passageiros, Mello não esconde seu entusiasmo. Na temporada passada – de outubro de 2009 a abril de 2010 – passaram 500 mil passageiros pelo Rio; esse número deve subir para 600 mil este ano e atingir um milhão em 2014. Em breve, o Porto do Rio terá uma nova estação de passageiros, com três novos pieres, ao custo de R$ 314 milhões ; e, na parte cultural, o Museu do Amanhí custará R$ 130 milhões, com previsão de ser inaugurado em 2012.
Outra grande aposta do Porto do Rio é a Avenida Portuária, com custo de R$ 150 milhões, que poderá ser bancado pela CCR, concessionária da Ponte Rio-Niterói que, em troca, ganhará extensão da concessão.
Jorge Mello pensa em algo revolucionário para o porto do Rio: a instalação de um posto avançado no fundo da Baía de Guanabara, próximo a Magé. Com isso, uma carga vinda por caminhão ou trem, de São Paulo, não precisaria ser entregue no Rio, mas seria colocada nesse posto, situado a uns 70 km do porto. O deslocamento desse posto até o navio ou o cais seria feito por barcaças, algo inédito no sistema portuário nacional, a não ser em casos isolados – pois nunca se fez algo constante nesse sentido.
Sobre a nova e inesperada atividade do Porto do Rio, uma base de barcos de apoio a plataformas, cita Mello que o movimento é enorme e comenta:
– Cada operação é dobrada, pois o barco de apoio tem de ser enchido e desenchido continuamente, o que o faz necessitar intensamente de apoio portuário – diz.
Em relação à próxima licitação, o terminal de granéis de Itaguaí, informa Mello que já foi entregue estudo ao órgão de meio ambiente, o Inea – Instituto Estadual do Ambiente – e, quando houver liberação, o próximo passo será o exame por parte da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).