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Clippings - 24/01/14

Portuários ameaçam paralisação em 23 portos do país

Trabalhadores portuários das companhias docas vão paralisar as atividades hoje em 23 portos do país por seis horas, das 7h às 13h. Eles reivindicam a implantação do plano de cargos, carreira e salários, uma solução para a dívida bilionária do Portus – o fundo de previdência complementar da categoria – e ainda a garantia de que a guarda portuária não será privatizada.

Na quinta-feira, dia 30, está programada outra paralisação, desta vez por 24 horas. No dia 4, haverá uma reunião na Federação Nacional dos Portuários (FNP), que organiza o movimento. Caso os portuários não consigam estabelecer um cronograma de ação com o governo até lá, prometem deflagrar greve por tempo indeterminado.

A estimativa é que oito mil profissionais cruzem os braços hoje. Eles não atuam diretamente na movimentação de cargas, atividade que saiu das mãos das administrações portuárias em 1993. Mas a paralisação pode impactar a operação, diz o secretário-geral da FNP, Sérgio Giannetto. Entre as atividades realizadas por esses profissionais estão a permissão para atracação e desatracação de navios e o controle de acesso de pessoas e veículos ao cais.

O ponto mais complexo das reivindicações é a dívida do Portus. O fundo de pensão complementar está sob intervenção da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) desde agosto de 2011 e tem visto suas reservas minguarem. O Portus se diz credor de uma dívida de quase R$ 4 bilhões que seria fruto da inadimplência das patrocinadoras (as companhias docas) e da União, como sucessora da extinta Portobrás (antiga estatal federal). A intervenção já foi renovada seis vezes e vence no próximo dia 31. Segundo a FNP, o Portus atende 11 mil portuários ativos e pensionistas. Considerando os dependentes, são mais de 30 mil pessoas.

A categoria pede que o governo apresente os resultados do estudo elaborado por grupo interministerial para auditar a dívida do Portus. Não queremos inviabilizar o país, queremos resolver o problema. Existe uma intervenção que não se resolve, diz Giannetto, que também preside o sindicato dos portuários do Rio de Janeiro.

Sobre a guarda portuária, os trabalhadores querem mais participação na definição das regras para exercer a atividade. No fim de 2013, o governo apresentou proposta que permite a contratação de segurança privada para a vigilância dos portos. Os trabalhadores temem a privatização. Os portuários pedem ainda a implantação do plano de cargos e salários, que, segundo Giannetto, só Santos e Rio possuem.

Procurada, a Secretaria de Portos informou estar ciente das reivindicações e que vem mantendo diálogos com os trabalhadores, juntamente com a Secretaria Geral da Presidência da República. Informou que acompanha os desdobramentos do movimento.