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Clippings - 09/04/14

Potencial do xisto pode estar superestimado nos EUA, diz cientista

Jan Arps é o petroleiro mais influente do qual você nunca ouviu falar. Em 1945, Arps, então um engenheiro de petróleo de 33 anos, da British-American Oil Producing, publicou uma fórmula que estimava quanto petróleo bruto um poço produziria e quando se esgotaria. O método Arps tornou-se um dos cálculos mais usados na indústria petrolífera. As empresas recorrem ao método para calcular a rentabilidade de uma perfuração, garantir empréstimos e enviar cálculos de reservas às autoridades reguladoras. Quando o deputado republicano Ed Royce, da Califórnia, disse em audiência, em 26 de março, que os EUA deveriam começar a exportar seu petróleo para enfraquecer o poder de influência dos russos, sua previsão de elevação da produção de [fontes de] energia nos EUA remontou aos cálculos de Arps.

O problema é que a equação de Arps foi ajustada para ser usada com a tecnologia de gás e petróleo de xisto, que não existia quando ele morreu em 1976. John Lee, professor de engenharia na University of Houston e especialista em reservas, diz que bilhões de barris em petróleo de xisto não explorado são contabilizados pelas empresas com base em um histórico limitado de perfurações e em ajustes na fórmula de Arps que exageram a produção futura. A situação poderia se revelar mais pessimista do que as pessoas projetam, diz Lee. A produção de longo prazo de alguns desses poços ricos em petróleos pode estar superestimada.

As críticas de Lee causaram uma divisão no setor sobre como mensurar as reservas de petróleo acumuladas dentro das formações de rochas a milhares de metros abaixo da superfície. Em boletim informativo publicado neste ano pela firma de consultoria Ryder Scott, que ajuda as empresas de perfuração a calcular reservas, Lee defendeu a convocação de uma conferência setorial para discutir o que ele vê como abordagens inconsistentes. O método Arps, em especial, é vítima de abusos, diz.

A produção de petróleo nos EUA subiu 40% desde o fim de 2011, graças à exploração de camadas de rochas cheias de petróleo, segundo a Agência de Informações sobre Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês). Os EUA devem tornar-se o maior produtor mundial de petróleo em 2015, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

A elevação das estimativas de reservas dá aos Estados Unidos um falso senso de segurança, segundo Tad Patzek, presidente do departamento de petróleo e engenharia de geossistemas da University of Texas, em Austin. Estamos nos enganando ao pensar que, por termos recursos infinitos, não precisamos nos preocupar, diz. Estamos cegos diante de um futuro que não é tão bonito quando imaginamos.

O método Arps é tão bom quanto os dados que as empresas inserem na fórmula, diz Patzek. Estimativas podem ser amplificadas quando a fórmula se baseia em históricos limitados de perfuração ou em poucos poços com alto desempenho para prever a operação em uma vasta área de exploração. As previsões também podem ser distorcidas para cima levando-se em conta suposições de que o declínio na produção será mais lento do que o observado na fórmula.

Alguns no setor defendem o método Arps. Se é pelo [método] Arps ser antigo, a roda também foi inventada há muito tempo e ainda é útil, diz Scott Wilson, vice-presidente sênior da Ryder Scott. Outros vêm trabalhando para substituir os cálculos de Arps. Pesquisadores agora testam novas fórmulas com nomes dignos de bandas de rock alternativo: Stretched Exponential, Duong Method e Simple Scaling Theory. Dean Rietz, vice-presidente executivo, encarregado de simulação de reservas na Ryder Scott fez um modelo de computador que simula a produção de petróleo. Volte a me perguntar em dez anos e te digo até que ponto é confiável, diz.