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Clippings - 03/09/18

Pouca disputa indica necessidade de ajuste

Leilão da PPSA garante a comercialização de óleo da União e já há previsão de novo processo em 2019

Petrobras e Total levaram os contratos de venda de petróleo da União produzidos nos campos de Mero, Lula e Sapinhoá, localizados no cluster da Bacia de Santos. As duas petroleiras arremataram nesta sexta-feira (31/8) os três lotes colocados em leilão na B3, pela Pré-Sal Petróleo (PPSA), garantindo a venda de um volume total de 12,3 milhões barris.

Embora tenha conseguido vender os três lotes neste leilão, após o fracasso da primeira tentativa feita na B3, em junho, o resultado demonstra que o processo ainda demanda ajustes para ser mais atrativo e despertar maior concorrência. O novo leilão terminou sem disputa e ainda com um volume de óleo de Lula sem interessado, o que exigirá a realização de um novo leilão em 2019.

No primeiro leilão, só a Shell se habilitou, mas não apresentou proposta.

Pouca concorrência nos lotes vendidos

A Petrobras arrematou os lotes de Mero e Sapinhoá, apresentando propostas para contratos de 36 meses, pelo Preço de Referência do Petróleo (PRP), publicado pela ANP. O contrato de Mero prevê um volume estimado de 10,6 milhões de barris de petróleo, enquanto o de Sapinhoá envolve uma produção prevista de 600 mil barris de óleo.

A Total arrematou o lote de Lula no contrato de 12 meses, com ágio de R$ 1 por m3 sobre o PRP. O contrato prevê um volume total estimado de 1,1 milhão de barris de petróleo. Antes do contrato de um ano, foi ofertado um lote de 36 meses, com volume previsto de 3,2 milhões de barris de petróleo, mas não houve interessados.

Os três lotes foram arrematados sem que houvesse disputa. Além da Petrobras e da Total, Shell e Repsol Sinopec também estavam habilitadas para participar do processo, mas não chegaram a apresentar proposta.

Leilão à vista

O presidente da PPSA, Ibsen Flores, comemorou o resultado do leilão, reforçando que será gerada uma arrecadação futura de cerca de R$ 3,26 bilhões para os cofres da União, por meio do Fundo Social. Em sua avaliação, a falta de interessados no lote de 36 meses de Lula pode ter sido provocada pela maior dificuldade de logística do projeto. “O leilão foi um sucesso absoluto e estamos muito satisfeitos. Lula tem um número grande de plataformas e essa questão da logística pode ter pesado na avaliação”, avalia o executivo.

Sem ter conseguido um comprador para o lote de 36 meses de Lula, a PPSA terá que realizar um novo leilão para assegurar a comercialização do volume restante, em 2019. O novo leilão, segundo o presidente da PPSA, será realizado no mesmo modelo, podendo ter alguns ajustes de formato.

Carregamentos em 2018 e 2019

O primeiro carregamento oriundo do leilão realizado nesta sexta-feira (31/8) será realizado em novembro, no campo de Mero, envolvendo um volume de 500 mil barris.  A projeção da PPSA é de que sejam realizadas no campo operação cerca de três a quatro operações por ano.

Os primeiros carregamentos de Lula e Sapinhoá só serão realizados em 2019. A comercialização da parcela de óleo da União depende ainda da homologação pela ANP dos AIPs de cada projeto.

A PPSA não tem até o momento previsões sobre os volumes dos carregamentos de Lula e Sapinhoá. Segundo Flores, a logística de carregamento ainda será discutida com o operador e as empresas comercializadoras do óleo. Uma das possibilidades a serem discutidas será a adoção do sistema de carga combinada.

As empresas vencedoras irão remunerar a União a cada retirada de carga, de acordo com o preço ofertado. Todas as cargas deste leilão serão retiradas nos campos, diretamente nos FPSOs.

PPSA buscará navio DP

Os três campos são operados pela Petrobras. Regido sob o modelo de partilha da produção, Mero está localizado a 170 km do litoral do estado de Rio de Janeiro e é explorado pelo consórcio Petrobras (40%), Shell (20%), Total (20%), CNPC (10%) e CNOOC (10%). No momento o campo tem uma produção pequena de cerca de 50 mil barris/dia de óleo, mas entre 2021 e 2022 entrarão em operação dois FPSOs para 180 mil barris/dia, cada.

Oriundos de descobertas feitas nos leilões de concessão, Sapinhoá e Lula são explorados pelos consórcios Petrobras (45%), Shell (30%) e Repsol (25%) e Petrobras (65%), Shell (25%) e Petrogal (10%). O campo de Lula é hoje o maior produtor do pré-sal.

Futuramente, por conta do aumento da produção, a PPSA terá que contratar navio DP para realizar operações de carregamento de óleo da União. A empresa montou um grupo de trabalho para analisar a questão.

Fonte: Revista Brasil Energia