Os ganhos de produtividade dos poços do pré-sal de Santos devem reduzir em cerca de 30% a demanda futura por construção de poços e equipamentos submarinos. A projeção, já consideradea por executivos de fornecedoras da petroleira, é que os próximos FPSOs a serem instalados na província sejam conectados a 12 poços de produção e injeção, ante os 17 anteriormente estimados.
A redução afetaria diretamente as encomendas por equipamentos como árvores de natal molhadas (ANMs), cabeças de poço, linhas flexíveis, umbilicais, que são objeto de frame agreements entre a Petrobras e grandes fornecedores.
Empresas como a FMC Technologies, Aker Solutions e Cameron (Schlumberger) possuem acordos para fornecer cerca de 130, 60 e 40 ANMs à petroleira, respectivamente. Já a GE O&G tem um contrato, assinado em 2012, para entregar 380 cabeças de poço à companhia.
Outro segmento que veria o número de pedidos cair seria o de construção de poços, que compreende serviços como de perfuração, completação e intervenção. A área é atendida principalmente pela Halliburton, Schlumberger e Baker Hughes, esta última, com acordo fechado de fusão com a GE Oil & Gas.
Os poços do pré-sal produzem em média 25 mil barris/dia. Junto a seus sócios, a Petrobras já havia conseguido, no fim de 2015, ultrapassar o patamar médio mensal de 850 mil barris/dia após nove anos da primeira descoberta na região. Petrobras sempre ressalta que para alcançar esse mesmo patamar antes do pré-sal, a empresa levou 44 anos, de 1953, ano de sua criação, até 1997 – sinal não apenas do potencial do pré-sal, mas também da velocidade com que as mudanças ocorrem na gestão dos projetos.
A projeção de 17 poços no pré-sal tem por base o sistema atual instalado em Lula, maior campo produtor do país cujo planejamento prevê, em média a conexão de 8,75 poços de produção e 8,25 poços de injeção nos sistemas com 150 mil barris/dia de capacidade de processamento de petróleo. As plataformas, contudo, atingem picos de produção com 6 a 8 poços produtores.
É o caso das plataformas de Cidade de Mangaratiba e Cidade de Itaguaí. Além dessas duas, Cidade de Maricá e Cidade de Saquarema também são de 150 mil barris/dia e estão em ramp-up. Também produzem na região os FPSOs Cidade de Angra dos Reis e Cidade de Paraty, com capacidade de produção de 100 mil barris/dia e 120 mil barris/dia, respectivamente.
Nos próximos dois anos, estão programadas as entradas da plataforma P-66, na área de Lula Sul, seguida da P-67, em Lula Norte (ambas em 2017) e, no ano seguinte, o plano é produzir com a P-69, em Lula Extremo Sul, concluindo a instalação da nona e última plataforma vigente no plano de negócios atual.
A décima plataforma, de Lula Oeste, foi excluída porque a Petrobras precisa de mais tempo e informações para decidir a localização dos poços. É o mesmo caso de uma das plataformas programadas para a região de Iara e Entorno de Iara, onde foram declarados os campos de Atapu, Berbigão e Sururu e suas extensões em área concedida e cessão onerosa. Estavam previstas três plataformas, mas, na revisão do PN 2017-19, uma foi excluída.
Procurada, a Petrobras confirmou a expectativa de que os FPSOs com capacidade para produzir 150 mil barris/dia atingirão plena capacidade com a interligação de seis a oito poços produtores e que, na atual versão de seu plano de negócios, reduziu os investimentos sem impactos relevantes na produção de óleo e gás, em função dos ganhos de produtividade.
Considerando-se os FPSOs próprios de 150 mil barris/dia que entrarão em produção entre 2017 e 2019, o atual PN prevê a instalação de nove plataformas. A redução total seria, portanto, de cerca de 40 poços, saindo do patamar de 150 para cerca de 110 poços. A essa demanda, podem-se somar de duas a três completações e conexões para os testes de produção de Libra programados para o perãodo – são cinco estes de produção no total, que se estenderão pós-2019.
Sobre a possibilidade de antecipação de serviços de poços para aproveitar a frota de sondas e barcos de apoio já contratada, a companhia disse que isso será avaliado caso a caso, de forma a garantir a competitividade e economicidade dos projetos. A Petrobras destacou que, devido à implementação de novas modalidades de relacionamento com os fornecedores de equipamentos subsea – a estatal quer envolvê-los na fase de discussões conceituais dos projetos –, o panorama de fornecimento dos empreendimentos poderá ainda sofrer adequações, com impacto nos volumes a serem contratados.
Até o momento, a petroleira reduziu consideravelmente sua frota de sondas contratadas, mas ainda tem uma série de compromissos firmado em uma épóca que se esperava uma semanda muito maior até 2020, incluído PLSV, utilizados na conexão de poços de produção e os próprios frame agreements firmados com fornecedores de equipamentos subsea.