O preço do minério de ferro aprofundou sua queda anual nos últimos dois dias, após o governo chinês ter sinalizado a redução de crédito para o setor do aço. Ontem, a cotação caiu 0,3%, depois de uma queda de 2,2% na segunda-feira. O preço ficou em US$ 108,30 a tonelada no mercado à vista da China, menor nível desde 12 de março, quando chegou a US$ 107,40. Desde o início do ano, a matéria-prima do aço já acumula uma desvalorização de 20%. Os valores são do minério com concentração de 62% de ferro, que é a especificação mais usada como referência no mercado.
Na segunda-feira, os preços foram pressionados pelo alerta do órgão regulador dos bancos na China para que as instituições financeiras elevem o controle sobre empréstimos para a importação de minério de ferro no país. Ontem, o mercado global de minério de ferro e aço já estava mais calmo, segundo comentavam os analistas do setor, apesar do sentimento negativo permanecer.
De qualquer forma, a China estima que vai importar cerca de 870 milhões de toneladas de minério de ferro neste ano, 7% acima do volume do ano passado. A restrição do crédito às siderúrgicas – que são as maiores consumidoras globais de minério, com cerca de 66% da demanda global – é apenas mais uma notícia negativa para os produtores da commodity.
As principais razões para a forte queda neste ano são a expectativa de um grande volume adicional de produção de minério no mundo nos próximos 24 meses e os altos estoques nos portos chineses.
Em relatório, o Barclays afirma que a previsão é de um volume adicional de 187 milhões de toneladas neste ano e de 127 milhões de toneladas em 2015. Em relação aos estoques, os analistas do Goldman Sachs destacam que atualmente o volume nos portos está 34 milhões de toneladas superior ao da média de 2013, o que eles consideram que eleva o potencial de um ciclo de redução de estoques ainda este ano.
Em média, onze bancos consultados pelo Valor PRO, serviço de tempo real do Valor, estimam um preço médio de US$ 113,50 para a tonelada de minério de ferro neste ano. O valor médio atual está em 119 a tonelada. Para 2015, as projeções indicam US$ 103 por tonelada. As previsões de preços mais baixos para este ano são do Itaú e do Goldman, de US$ 107 e US$ 109, respectivamente. Para o ano que vem, as estimativas de menores preços são do Goldman e do Citi, de US$ 80 e US$ 90 a tonelada.