O minério de ferro já está longe de seu preço máximo do ano e, para a preocupação das mineradoras, deve se estabilizar perto do nível atual. Em fevereiro, a cotação bateu os US$ 158,90 por tonelada, depois de vir de uma sequência de três meses de alta. De lá para cá, entretanto, caiu 30% e hoje ronda os US$ 112 por tonelada. De agora em diante, ainda existe espaço para mais quedas no curto prazo, e analistas preveem um preço parecido com o atual ao fim de 2013.
A cotação do minério de ferro foi pressionada nos últimos meses pelas perspectivas de redução da demanda de siderúrgicas chinesas. Assim como aconteceu no ano passado, já era esperado que os fabricantes de aço da China reduzissem seu volume de produção e, com isso, suas compras de matéria-prima. Agora, este momento chegou. Depois de terem recomposto seus estoques de minério no fim do ano passado e no início deste ano, agora essas companhias passam a consumir o material que têm guardado em seus armazéns.
Além de estarem com altos níveis de minério em estoque, as siderúrgicas possuem grandes volumes de aço pronto para vender. O analista Ed Meir, da INTL FC Stone, estima em torno de 20 milhões de toneladas do insumo estocado em todo o mundo, nível que ele considera confortável para que não tenham pressa em elevar seu ritmo de produção. Assim, a reposição dos estoques de minério não deve acontecer nos próximos meses. Isso só acontecerá caso o preço caia para um patamar baixo o suficiente para tornar as compras muito atrativas.
Ao mesmo tempo em que o enfraquecimento da demanda chinesa pesa de um lado, a oferta de minério de ferro está em crescimento, o que acaba sendo uma agravante. Na Austrália, onde o insumo é de alta qualidade, a Rio Tinto está elevando a extração em sua unidade de Pilbara de 230 milhões de toneladas ao ano para cerca de 290 milhões até o fim de 2013, e para 360 milhões de toneladas em meados de 2015. O grupo australiano Fortescue Metals, por sua vez, está aumentando sua produção de 100 milhões de toneladas por ano para 155 milhões de toneladas até o fim deste ano.
Operadores de mercado lembram que durante as férias de verão no Hemisfério Norte, em julho e agosto, o mercado de aço costuma ficar mais enfraquecido, o que tende a pressionar a cotação do minério de ferro.
Este cenário é bem diferente daquele que levou os preços a uma estilingada no início deste ano. Além de as empresas chinesas estarem repondo seus estoques em dezembro e janeiro, outros fatores reduziam a oferta naquela ocasião. Condições climáticas adversas prejudicaram os embarques e a produção na China e na Austrália, por exemplo, enquanto a Índia estava com restrições para suas exportações.
Ainda que analistas não acreditem que o minério vai chegar perto da mínima do ano passado, de US$ 86,7 a tonelada (em setembro), eles acham possível que chegue perto de US$ 100 a tonelada. Abaixo desse valor, muitas minas chinesas começam a operar com prejuízo, o que acaba disparando um gatilho para a volta às compras e para a alta dos preços.
Para as empresas que extraem o minério, como Vale, MMX e CSN, a situação não é nada agradável. No caso da Vale, entretanto, analistas do Bank of America Merrill Lynch calculam que os preços atuais das ações da companhia já descontam uma cotação do minério abaixo de US$ 100 por tonelada. Mas para que a ação da empresa tenha uma tendência significativa de alta, o Citi afirma que o minério precisa ficar acima de US$ 100 por tonelada até 2015, o que vai depender muito das estratégias chinesas até lá.