Arquivo/DivulgaçãoRelatório da DNV-GL identifica GNL como combustível com participação crescente e amônia e hidrogênio como candidatos buscando nível de maturidade para ganhar espaço na matriz de combustíveis nas próximas décadas.
O principal desafio do transporte marítimo para esta década é se preparar para uma trajetória de descarbonização. A análise consta no ‘Maritime Forecast to 2050 (Energy Transition Outlook 2020)’, visão global da DNV-GL a respeito da transição energética para sociedade até 2050. A avaliação é que os combustíveis alternativos com carbono neutro são essenciais para alcançar as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GHG) estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO) para as próximas décadas.
A DNV enxerga que, a partir de 2030, até 2050, a queda nessa curva necessariamente demandará novos combustíveis. A classificadora vê a amônia e o hidrogênio como exemplos de candidatos buscando nível de maturidade para ocupar esse espaço nos próximos 10 anos. Até 2050, a empresa vê o GNL como combustível fóssil com menores emissões de CO2, permanecendo com fatia relevante e continuando a crescer nessa matriz.
O gerente de desenvolvimento de negócios da DNV-GL, Jonas Mattos, observa que ainda existem gaps importantes do ponto de vista de regulamentação para que amônia e hidrogênio, por exemplo, possam ser utilizados combustíveis. “Como GNL há 20 anos, amônia e hidrogênio, a indústria está investindo porque identifica potencial para que esses gaps sejam fechados nos próximos 10 a 15 anos”, comparou Mattos, durante o Webinar Novos Combustíveis Marítimos, promovido na última semana pela Revista Portos e Navios.
A estratégia da IMO prevê metas para o controle temperatura até 2100. No transporte marítimo, existe expectativa de redução de 40% da intensidade do uso da energia e emissões. Até 2050, é esperada redução de 50% na quantidade e 70% na intensidade, por meio de regulamentação. Em janeiro de 2020, passou a vigorar o limite global de 0,5% do enxofre no teor do bunker.
O transporte marítimo hoje é responsável por 3% do consumo de energia do mundo, mais aproximadamente 8% do consumo de óleo. “Para ter queda dramática até 2050, certamente combustíveis fósseis, principalmente óleo, vão ceder a liderança do que hoje é 90% ou mais da matriz de consumo da área de navegação ligada ao óleo combustível”, avaliou Mattos.
As demandas da sociedade, inclusive na comunidade marítima, abrem espaço para soluções que substituam óleo combustíveis, inclusive para longas distâncias. Ainda existem, porém, aspectos importantes como disponibilidade dos combustíveis para abastecimento e regulamentação. A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou o desafio a fim de conter o aumento da temperatura global acima de 1,5° até o final deste século.
Mattos disse que, com o cenário atual, há risco de a temperatura global provavelmente aumentar até 2,3 graus ao final do século. “Apesar de já termos tecnologias disponíveis, entendemos que é necessário aumentar a velocidade na adoção dos combustíveis alternativos para que, lá na frente, não tenhamos efeito do aumento de temperatura do planeta, que é o grande pano de fundo de todas essas iniciativas”, resumiu.
Fonte: Revista Portos e Navios