O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, pediu demissão do cargo neste domingo. O executivo, que alegou razões pessoais, continuará no cargo até o dia 5 de março. Em seguida, vai comandar a BR Distribuidora, segundo o colunista Lauro Jardim.
Ferreira vai substituir Rafael Grisolia na BR, que desde abril de 2019 ocupa a presidência da empresa. Ainda não há um nome para substituí-lo na Eletrobras.
Ferreira é um dos principais defensores e articuladores da privatização da estatal, anunciada primeiramente em 2017, ainda durante o governo Michel Temer.
O governo Jair Bolsonaro também manteve o projeto de privatização, que não avançou até agora por forte resistência política no Congresso Nacional.
Nos últimos dias, parlamentares aliados ao governo, incluindo o candidato à presidência do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) — que tem o apoio do Palácio do Planalto — colocaram em dúvida o plano de privatização.
Ferreira vinha dizendo a pessoas próximas que ficaria na estatal até perceber que, de fato, a privatização não avançaria. Segundo essas fontes, a saída dele pode indicar que os planos da equipe econômica para privatizar a empresa estão cada vez mais distantes de serem realizados.
A gestão de Ferreira é marcada pela privatização de seis distribuidoras de energia da Eletrobras no Norte e Nordeste, historicamente deficitárias. Isso ajudou a melhorar os resultados da holding, além de aumentar investimos nesses estados.
Demissões voluntárias
O executivo também adotou planos de demissão voluntária. Em 2019, foram dois. O último, anunciado em outubro daquele ano, previa a dispensa de quase 1.700 funcionários. A previsão era que a empresa poderia economizar R$ 510 milhões por ano.
Também na sua gestão, Furnas (subsidiária da empresa) começou o processo para deixar sua sede, em Botafogo, visando ao corte de custos.
Em comunicado ao mercado, a Eletrobras afirmou que o executivo liderou a reestruturação organizacional e financeira da estatal durante seu mandato de cerca de 4 anos e meio.
“Sob sua gestão, a companhia atingiu lucros históricos, reduziu sua alavancagem a patamares compatíveis com a geração de caixa, reduziu custos operacionais com privatizações de distribuidoras e programas de eficiência”.
O comunicado diz ainda que Ferreira “colocou em operação obras atrasadas, simplificou a quantidade de participações acionárias, com a venda, incorporação e encerramento em cerca de 90 sociedades de propósito específico”.