A presidente da TAM Linhas Aéreas, Claudia Sender, que comanda a maior companhia aérea do país, classificou como positivo o modelo criado pelo governo para distribuição e redistribuição de slots – horários de chegadas e partidas de aeronaves – no aeroporto de Congonhas, terminal que responde por mais de 11% das decolagens da aviação comercial brasileira. A executiva descartou fazer mudanças operacionais ou comerciais provocadas por maior concorrência após a abertura de novas vagas.
Isso porque Claudia Sender diz que não vai perder slots para concorrentes. Ela apontou que os índices de pontualidade e regularidade da empresa são hoje superiores aos que devem ser exigidos pelos órgãos públicos do setor. “O que temos lá foi conquistado ao longo de 40 anos. Continuamos do nosso tamanho por conta de nossa qualidade em Congonhas. Por isso, os critérios nos trazem tranquilidade. Manteremos nossas posições”, disse a executiva ao Valor.
A presidente da TAM disse que o impacto da redistribuição em Congonhas vai depender da forma com que os slots forem aproveitados. “Se forem apenas colocadas rotas sobre as já existentes, não haverá impacto, apenas sobreposição. Mas, se forem colocadas novas rotas, a complementaridade e a abrangência aumentam”, disse.
Claudia ponderou que aguarda o detalhamento do critério que será adotado para medir a pontualidade. “Segundo a Iata [Associação Internacional do Transporte Aéreo, que representa mais de 200 aéreas no mundo], mais de 75% da não pontualidade são provocados por fatores alheios à gestão da companhia aérea.”
Mas a executiva lembrou que durante a Copa a empresa já trabalhou com critérios de pontualidade rigorosos, impostos pela Anac. “E durante esse perãodo, as regras foram muito claras sobre quais fatores seriam determinantes e quais seriam excluídos. Nossa expectativa é que esses critérios sejam utilizados”, afirmou, elogiando que a resolução respeitou o direito adquirido para quem opera com qualidade.
A presidente da TAM também falou sobre o acordo com a Passaredo, de “interline” – que permite montar venda de viagens entre as parceiras, mas não o compartilhamento de números de voos. E negou interesse em comprar a empresa aérea regional com sede em Ribeirão Preto, no interior paulista. “Temos mais de 40 acordos desse tipo no Brasil e a Latam [grupo controlador da TAM e da LAN ], mais de 100 no mundo. Não estamos negociando mais nada além disso”, disse.