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Clippings - 11/06/21

Prevenção a riscos cibernéticos tem atenção crescente no setor marítimo

Como todo sistema industrial de grande porte, um navio carrega dezenas de equipamentos eletrônicos, softwares e canais de comunicação fundamentais para seu funcionamento — e que também servem como portas abertas para ataques cibernéticos. Desde janeiro deste ano, de olho na segurança das embarcações, a Organização Marítima Internacional (IMO), por meio da resolução MSC.428(98), determinou que os riscos cibernéticos devem ser considerados e gerenciados no escopo do Safety Management System (SMS).

“Considerar o risco de ataques cibernéticos significa garantir a integridade da embarcação, salvaguardar a vida dos tripulantes e evitar danos à sustentabilidade”, explica o professor Raphel Machado, que dá aulas de segurança da informação na Universidade Federal Fluminense (UFF) e é líder de pesquisa na consultoria Armor Shield. “Por isso, há uma grande movimentação na marinha mercante no sentido de buscar maneiras de proteger os navios”.

Machado lembra que a preocupação com riscos no segmento chegou muito depois se comparada, por exemplo, com as ações nos setores bancário e elétrico, onde, há pelo menos 20 anos, já se discute a necessidade de proteção contra ataques cibernéticos. Mas o ataque a Maersk — que teve seus sistemas invadidos e levou um prejuízo de quase US$ 300 milhões — e outros eventos direcionados à cadeia logística acenderam o sinal de alerta.


“As grandes associações do mercado começaram a criar normas para a cibersegurança e a estimular seus associados a adotaram sistemas de prevenção. A manifestação da Organização Marítima Internacional serviu para reforçar essa necessidade”, conta o professor.

Na avaliação de Machado, o gerenciamento de riscos em geral e, em particular, dos cibernéticos, é um processo longo e complexo, que depende de muitas etapas. A própria IMO indicou uma alternativa para o setor: aderir às práticas do NIST Cybersecurity Framework, executando atividades e implantando controles previstos em perfis construídos para o setor marítimo. O National Institute of Standards and Techonlogy (NIST) é um órgão do governo dos Estados Unidos que cria padrões de segurança para diversos setores da economia.

Com a ajuda desse framework, é possível construir um programa de segurança cibernética eficaz e diminuir os riscos decorrentes das ameaças cibernéticas mais frequentes para o setor. Mas fica a pergunta: com os ciberterroristas cada vez mais ousados e dispostos a atacar por dinheiro, por uma causa ou até a mando de algum governo, como se prevenir?

Para o professor Machado, há três passos iniciais. O primeiro é treinar e conscientizar a tripulação sobre os riscos cibernéticos:

“Os tripulantes precisam saber o que podem e o que não podem. Muitos ataques em grandes sistemas industriais acontecem a partir de um fato banal, como um funcionário receber um e-mail para atualizar um determinado programa e clicar em um link, que tanto baixa um malware quanto passa informações sensíveis. Esse tipo de risco pode ser mitigado com a mudança de postura da equipe”.

Outro fator importante: conhecer bem os ativos de tecnologia que a embarcação usa e planejá-los em diversos níveis. No caso das redes, por exemplo, esse mapeamento pode impedir que o sistema usado pelo comandante para falar com a tripulação seja o mesmo que controle a energia ou o lastro do navio.

“Com isso, se há uma invasão, é possível evitar que ela atinja muitos sistemas”, observa o professor.

Por fim, na avaliação do especialista, toda embarcação precisa ter um plano de respostas para incidentes cibernéticos e essa ação deve ser conhecida por todos a bordo.

“Do mesmo modo que os tripulantes sabem o que fazer em um caso de abalroamento, têm que estar preparados para um incidente cibernético que não necessariamente e sempre será um ataque. Eles precisam saber o que fazer, a quem reportar e que sistemas isolar. Essa prática precisa ser construída e praticada no dia a dia”, afirma Machado.

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Fonte: Revista Portos e Navios

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