Sem recursos do BNDES e do Fundo de Marinha Mercante, Sete Brasil fez empréstimos com bancos
Assim como na Petrobras, a PricewaterhouseCoopers (PwC) audita as contas da Sete Brasil.
A auditoria, em relatório publicado no dia 12 deste mês e referente ao terceiro trimestre deste ano, alerta
para o “excesso” de passivos sobre ativos na empresa no montante de R$ 10,9 bilhões. Tal situação, diz a
PwC, “indica a existência de uma incerteza material que pode suscitar dúvidas significativas sobre a continuidade operacional da companhia”.
O documento é assinado por Marcos Donizete Panassol, da PwC, o mesmo que foi responsável pela não aprovação das demonstrações contábeis da Petrobras do terceiro trimestre. O alerta feito pela PwC, de acordo com um analista de mercado, é natural, já que o plano de negócios da Sete Brasil inclui 25% de recursos próprios e 75% de dívida. As 29 sondas planejadas pela empresa preveem um investimento de US$ 25,6 bilhões.
A Sete Brasil diz, em relatório, que, do total contratado nos estaleiros, cerca de US$ 6,5 bilhões já foram gastos.
A empresa destaca ainda que, além do atraso do financiamento do BNDES, o Fundo de Marinha Mercante ( FMM) também não liberou os recursos.
Segundo o relatório da Sete Brasil, a empresa obteve
“priorização junto ao FMM para captação de financiamento de longo prazo de até R$ 10,3 bilhões”.
Previsto para agosto de 2014, “o prazo para tendimento das condições prévias para assinatura do contrato e para posterior desembolso dos recursos foi prorrogado para janeiro de 2015”.
Por não ter os recursos, principalmente, do BNDES, a Sete Brasil fez empréstimos-ponte com Itaú, Banco do Brasil, Sumitomo Mitsui, The Bank of Nova Scotia, Standard Chartered Bank, Bradesco, Citibank e Caixa.
O balanço da empresa destaca que, no dia 4 de novembro, houve extensão para fevereiro de 2015 do prazo de vencimento de algumas dessas operações.