A Exmar é um grupo belga especializado em transporte marítimo de gás, com foco em navios-tanque para GLP, amônia e outros gases liquefeitos, além de atuar em soluções de infraestrutura e projetos de transição energética no shipping.
Desenvolvido em um programa de mais de três anos com a HD Hyundai Heavy Industries, a WinGD, a Nord Gas Solutions (ex-Wärtsilä Gas Solutions) e o Lloyd’s Register, o Antwerpen é um gas carrier de médio porte, com capacidade para cerca de 46.000 m³ de carga (45.000 m³ em tanques principais e 2 x 500 m³ em tanques de deck), apto a transportar amônia ou GLP e a utilizar a própria amônia como combustível.
A Exmar afirma que, operando com amônia de baixo carbono, o navio poderá reduzir em até cerca de 90% as emissões equivalentes de CO₂ durante a navegação, aproximando o desempenho da embarcação de um perfil de emissões “próximo de zero” em comparação com navios movidos apenas a combustíveis fósseis tradicionais.
O Antwerpen é o primeiro de uma série de quatro navios de gás de médio porte a amônia de combustível duplo, todos batizados com nomes de cidades belgas, que devem ser entregues até 2027 e apresentados como caso de referência em fóruns da Organização Marítima Internacional (IMO). A embarcação é também o primeiro navio a operar com o motor X-DF-A da WinGD, um dois-tempos de injeção de alta pressão projetado para que a amônia seja o combustível principal com uma pequena fração de óleo piloto, mantendo eficiência térmica comparável a motores a diesel equivalentes e com níveis de emissões de NOx, N₂O e amônia residual abaixo dos limites regulatórios sem exigir pós-tratamento específico de “ammonia slip”.
O avanço desses projetos sinaliza a rapidez com que a amônia passa do conceito para aplicações comerciais em navios oceânicos, com potencial impacto sobre contratos de transporte de produtos químicos. Outras companhias, como a Höegh Autoliners, já encomendaram motores a amônia de combustível duplo para parte de sua série de PCTCs Aurora Class, reforçando a tendência de que, ao longo da próxima década, a amônia se consolide como um dos principais vetores de descarbonização em diferentes segmentos da marinha mercante.
Fonte: Portos e Navios.