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Clippings - 16/11/18

Problemas de compliance podem tirar Exmar de Búzios V

Conformidade e dificuldades na obtenção de garantia e financiamento ameaçam assinatura do contrato

A Exmar corre o risco de não conseguir homologar o contrato de afretamento com a Petrobras para o FPSO de Búzios V, programado para entrar em operação em 2021, no campo da cessão onerosa, na Bacia de Santos. A BE Petróleo apurou que a petroleira detectou um problema de compliance com o grupo Belga. Por isso, a estatal solicitou à Modec, segunda colocada no processo, a revalidação de sua proposta, no valor de US$ 815 mil/dia.

A Exmar havia vencido a licitação com uma proposta de US$ 635 mil de taxa diária. Embora as negociações comerciais entre a Exmar e a Petrobras se estendam há cinco meses e o processo já tenha sido encaminhado para discussão e análise na Diretoria, nos comitês de avaliação e no Conselho de Administração, o problema de compliance foi descoberto apenas recentemente. Especula-se que o problema possa estar ligado à representação jurídica ou relacionado a empresas do grupo.

O pedido de revalidação de proposta foi encaminhada pela Petrobras à Modec na semana passada. Como os preços foram apresentados em junho e a proposta envolve orçamento de vários fornecedores, a tendência é de que a operadora de FPSOs demore um tempo para concluir o trabalho.

Apesar de ter pedido revalidação da proposta da Modec, oficialmente a Petrobras mantém o processo inalterado, ainda que fontes da petroleira afirmem que a situação da Exmar é frágil. Por enquanto, não há nenhum posicionamento formal sobre uma possível desclassificação da empresa belga, uma convocação do segundo colocado na licitação para negociação ou até mesmo o lançamento de uma nova concorrência.

No entanto, o fato de a Petrobras ter solicitado revalidação da proposta para a Modec é um indicativo de que a petroleira não está fechada a negociações. E que a princípio parece preferir uma alternativa intermediária a lançar uma nova licitação, já que num novo bid teria de seguir as exigências da nova Lei das Estatais (13.303/2016).  No mercado, é unânime a percepção de que a Modec, se chamada, não irá cobrir o preço da Exmar e que as negociações partirão do patamar de preço da sua proposta.

Afora a questão recente de compliance, o negócio entre a Petrobras e o grupo belga vinha enfrentando outras dificuldades desde o início do processo, como a situação em aberto do financiamento e das garantias. A pauta de contratação da Exmar para o FPSO de Búzios V foi levada ao Conselho de Administração da Petrobras e aos comitês especiais mais de uma vez, sem que o tema tivesse consenso interno. Nos debates, prevalecia a preocupação com a real capacidade de execução da obra, tendo em vista a pouca experiência do grupo na construção e operação de FPSO de grande porte e o preço e o preço apresentado. A negociação comercial entre a Petrobras e a Exmar foi concluída no fim de agosto.

Casco novo e obra na China

A proposta da Exmar prevê a construção do FPSO de Búzios V a partir de um casco novo e divisão da obra entre a China e o Brasil.  A opção por fazer a obra na China está diretamente ligada ao grupo financiador, que detém participação em seis estaleiros da região.

Búzios V seria o primeiro FPSO próprio da Exmar, que opera uma unidade deste tipo na Líbia. Embora seja novata no segmento de FPSOs, o grupo tem experiência na área de navios de gás, mantendo em carteira mais de oito navios FLNG. Atua ainda no segmento de criogenia, carga e transporte em várias partes do mundo, como África e Oceania.

O FPSO Búzios V será instalado na parte Norte do campo e terá capacidade para produzir 180 mil barris/dia de óleo e processar 12 milhões de m3/dia de gás. O prazo de afretamento será de 21 anos, com possibilidade de prorrogação por igual período.

A licitação para o afretamento da unidade foi lançada em maio de 2017, fora das regras da Lei 13.303/2016. Na ocasião, tanto a Exmar quanto a Modec apresentaram proposta com conteúdo nacional alto e baixo, opção assegurada no edital. No entanto, como o preço com compromisso local maior não ficou acima do orçamento da Petrobras, o segundo envelope não chegou a ser aberto.

A Misc Behard também participou do processo, mas foi desclassificada ainda na fase técnica, tendo apresentado proposta apenas para conteúdo local menor.

Fonte: Revista Brasil Energia