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Clippings - 05/06/14

Produção de água na Bacia de Campos preocupa HSBC

O banco HSBC reduziu para 5,1% a estimativa de aumento da produção da Petrobras este ano, apesar da companhia prever 7,5%. A estimativa anterior do banco era de uma alta de 5,2%. Contudo, os analistas ponderam que mais importante do que a média de crescimento da produção em 2014, será a do quarto trimestre, que vai servir de base para 2015.

Em relatório mostrando o que eles chamam de “Jornada desafiadora para o objetivo”, Luiz Carvalho e Filipe Gouveia projetam que a estatal fechará o ano produzindo uma média de 2,031 milhões de barris por dia, adicionando 215 mil barris à capacidade de produção ou um volume maior, de 408 mil barris diários, quando considerada a taxa média de declínio nos campos já em produção, de 10%.

Isso significa, explicam, 14 novos poços produzindo uma média de 30 mil barris por poço ou 19 novos poços no pré-sal. Depois de uma alentada análise da produção dos principais campos da Petrobras desde 2005, os analistas observaram que a estatal está produzindo mais água do que petróleo na Bacia de Campos, o que é um problema real e com efeito negativo.

Para se ter uma ideia do tamanho do problema, a quantidade de água extraída dos campos responsáveis por 70% do petróleo produzido no Brasil aumentou 171%, passando de 610 mil barris/dia em 2009 para 1,650 milhão, em janeiro 2014. Já a produção de petróleo passou de 1,174 milhão para 1,59 milhão de barris/dia no perãodo.

“Estes dados significam que, para cada barril de petróleo produzido, a Petrobras também produz outro barril de água”, afirmam os analistas do HSBC.

E continuam explicando que o impacto sobre a rentabilidade é alta porque a empresa tem de tratar a água antes de descartá-la de volta para o oceano. “Os custos adicionais relacionados com a produção de água, juntamente com menores receitas impactam a rentabilidade dos projetos”.

Os analistas do HSBC afirmam que o mercado está precificando melhor a empresa no caso de uma mudança de governo que reduza a interferência negativa, principalmente quanto à política de preços dos combustíveis. Mas ponderam que, “por enquanto”, existem poucos dados sugerindo que as perspectivas para a Petrobras serão melhores no caso de uma mudança do governo.

“Nós ainda acreditamos que é muito cedo para assumir que a presidente Dilma não será reeleita com base nas recentes pesquisas eleitorais”, salientam.

O HSBC vê pouca flexibilidade para a Petrobras reduzir os investimentos programados para 2014 e 2015. Carvalho e Gouveia afirmam que há uma “baixa visibilidade” com relação ao ritmo de investimento depois desse perãodo. Eles chamam a atenção para a compra, pela estatal, das duas unidades de tratamento de águas das refinarias Premium I e II, que serão construídas no Maranhão e Ceará, lembrando que depois de 2017 começa a fase de desenvolvimento da produção do campo de Libra, que vai exigir grande quantidade de recursos.

Os analistas do banco apresentam, entre as razões da cautela com relação aos investimentos da estatal, a alta alavancagem do balanço; o alto grau de interferência do governo; a expectativa de fluxo de caixa livre negativo até o fim da década; e o crescimento da produção abaixo do esperado.

Ao analisar a produção de petróleo da Petrobras no Brasil, cuja média no primeiro trimestre ficou em 1,922 milhão de barris por dia, os analistas do HSBC observam que o volume é 1% menor que no mesmo perãodo de 2013. E observam que para cumprir a meta de aumentar a produção em 7,5% em 2014 os volumes terão de subir 2% ao mês até dezembro. É por não apostar nesse ritmo que o banco estima para a produção da Petrobras um crescimento de 5,1%. Mas não acreditam que esse número vai tirar o sono dos investidores. “Apesar da nossa média menor do que o consenso para o crescimento da produção em 2014, não acreditamos que os investidores vão estar preocupados”, ponderam.