A PetroRio estima que o campo de Polvo, na Bacia de Campos, será capáz de produzir, pelo menos até 2020, elevando em 6,7 milhões de barris o volume total a ser recuperado no campo em comparação com a curva original de produção, antes da venda do ativo pela BP e Maersk. Em janeiro deste ano foram inciados investimentos em reentrada que devem elevar a produção de Polvo para 10 mil barris/dia, do atual patamar de 8,5 mil barris/dia de petróleo. Para alcançar esse resultado, a petroleira planeja o investimento de US$ 11 milhões este ano em intervenção e reentrada em poços, além de injeção de polímeros para produzir menos água do reservatórios. As aportes foram iniciados em janeiro deste ano.
Durante conferência com analistas, nesta quinta-feira (24/3) a empresa afirmou também que está cobrando da BW Offshore reparos por perdas de produção causadas por um problemas no FPSO Polvo, de propriedade e operado pela BW. De acordo com a PetroRio, uma falha no boiler da plataforma causou a interrupção no terceiro trimestre do ano passado, quando Polvo produziu 1,5 mil barris/dia a menos que a média do trimestre anterior, totalizando 7,4 mil barris/dia.
O FPSO Polvo está afretado até 2018 com opção de extensão até 2022. De acordo com o diretor Financeiro, de Novos Negócios e de Relações com Investidores da PetroRio, Blener Mayhew, a empresa está em “conversas avançadas” com a BW quanto a um acordo para ressarcimento de perdas. A produção média do campo em 2015 foi de 8,4 mil barris/dia, -13,4% em comparação com 2014.
Operando atualmente no break even de Polvo, a PetroRio espera que os investimentos se paguem com a recuperação de valor no preço do petróleo Brent. Para este ano, a estimativa é que os investimentos em recuperação secundária levem a produção para 10 mil barris/dia, custando US$ 28 por barril, com Brent a US$ 45. Considerando um desconto de cerca de US$7,5 por barril, o campo ficará em seu ponto de equilíbrio, sem gerar perdas para a PetroRio no curto prazo.
Blener Mayhew também afirmou que é possível avaliar a prospecção de novos volumes de óleo no futuro que, em caso de sucesso, podem estender ainda mais a vida útil do campo. Atualmente, o abandono está previsto para ocorrer entre 2021 e 2022 e custar US$ 52 milhões.
O executivo comemorou a redução do valor da garantia de abandono homologada pela ANP de US$ 84 milhões para US$ 52 milhõs. Deste valor, a Maersk, que vendeu 40% de Polvo para a PetroRio, deixou pago US$ 34 milhões.
Em 2015, a PetroRio teve lucro pela primeira vez em sua história, desde que foi fundada por Márcio Melo e batizada de HRT. O lucro de R$ 110 milhões foi possível graças a redução de custos, que compensou as perdas no faturamento, e os ganhos com a incorporação dos 40% de Polvo, entraram positivamente no balanço.