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Clippings - 23/11/23

Projeto de estocagem de gás em Manati continua de pé, diz o CEO da GBS Storage

Campo de Manati (Foto: Divulgação PRIO)

Localizado no litoral baiano a apenas 10 km da costa, em lâmina d’água rasa (35 a 40 m) e com profundidade de reservatório de até 1.570 m, Manati é um ativo estratégico com potencial para se converter numa infraestrutura de estocagem subterrânea de gás natural (ESGN), disse André Xavier Lima, CEO da GBS Storage, ao PetróleoHoje.

A empresa, que faz parte do grupo Lorinvest, acaba de assumir a fatia de 10% que a PRIO detinha em Manati. Apesar da tentativa frustrada de adquirir a totalidade do campo, Lima garante que a ambição de “virar a chave” do ativo continua de pé. “Nosso nome já diz o que queremos fazer, mas agora num contexto diferente.”

André Xavier Lima, CEO da GBS Storage

Em breve, o executivo pretende se reunir com a Petrobras, operadora do campo (35%), Enauta (45%) e GeoPark (10%) para levar adiante o projeto. Embora o término da concessão de Manati esteja previsto para 2029, a empresa espera convencer os sócios a traçar um plano de conversão à ANP o quanto antes.

Conta a favor da proposta o fato de Manati ser um campo de gás não associado, o que limita qualquer tentativa de prolongar sua vida produtiva. A expectativa é que o campo se mantenha economicamente viável até 2028 – no mais tardar, 2029. Por oferecer uma oferta flexível de gás, seus níveis de produção são regulados de acordo com a demanda sazonal.

O fator estratégico

Para Lima, a ESGN terá um papel cada vez mais estratégico para gerenciar o risco hidrológico, a inflexibilidade do gás do pré-sal, a exposição à oscilação de preços e o balanceamento da rede de transporte. Diante disso, Manati seria apenas o “ticket de entrada” da GBS Storage, que já mira outras oportunidades em campos onshore. “Acreditamos na tese da estocagem”, disse.

Sobre as incertezas regulatórias que recaem sobre a ESGN, como alocação de capacidade e acesso de terceiros às instalações, o executivo crê que o arcabouço regulatório está bem delineado no que diz respeito à atividade em campos depletados. “Se fosse num aquífero ou campo devolvido à ANP, a coisa mudaria de figura”, pontua.

Indagado quanto à definição tarifária, critério que ainda precisa ser regulamentado pela agência, o CEO não vê problema, já que a estocagem não se configura como monopólio natural. Na sua visão, a negociação vai ocorrer livremente entre fornecedor e consumidor. “Não será uma tarifa regulada”, explica.

Fundador da Stogas, única empresa que obteve autorização da ANP para atividade de ESGN, no campo de Santana (BA), em 2015, o executivo acompanha o assunto há bastante tempo. “Comecei a estudá-lo em 2006. De lá pra cá, a clareza regulatória acerca do tema só vem aumentando.”

Fonte: Revista Brasil Energia