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Clippings - 26/05/10

Projetos aumentam em todo o mundo

O Brasil, ao lado dos Estados Unidos, é um dos poucos países do mundo que já têm uma indústria consolidada de produção de energia a partir de biomassa derivada das usinas de etanol.

Mas há várias outras nações investindo para atingir situação semelhança. Nem todas têm, no entanto, clima tropical e disponibilidade de água e terra para a cultura da cana-de-açúcar. Por isso, apostam em outras plantas para a produção de álcool e outros combustíveis. Entre elas estão, por exemplo, o milho, o pinhão manso, o miscanthus (uma gramínea semelhante à cana) e o populus (uma espécie de álamo que produz madeira para papel).

Uma região que vem se destacando nesse cenário é o Sudeste Asiático. Segundo o pesquisador Ramlan Abd Aziz, professor da Universidade Tecnológica da Malásia, que esteve em São Paulo em março para participar da Convenção Latinoamericana do Global Sustainable Bioenergy Project (GSB), boa parte dos países de lá dispõe de projetos para produzir biocombustíveis. O potencial de produção da região é de 14 milhões de barris por dia, mais do que os 11 milhões de barris de petróleo produzidos pela Arábia Saudita. A Tailândia, por exemplo, tem nove usinas para a produção de etanol de cana e nove de biodiesel de dendê. Mianmar também se destaca, com a produção de biocombustível de jatropha, uma planta conhecida no Brasil como pinhão manso – aquele país detém 90% das plantações mundiais desse vegetal.

O botânico e professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Buckeridge cita o Japão como outro país da Ásia que merece atenção. Um colega de lá conseguiu transformar geneticamente o populus, introduzindo nessa planta genes produtores de enzimas que degradam a parede celular, o que facilita a produção de etanol, explica. Ele plantou as árvores transgênicas e agora, em relativamente pouco tempo, os japoneses poderão dispor de uma biomassa muito interessante para a produção de energia. Bélgica e Canadá estão realizando experiências semelhantes com a mesma espécie.

A Comunidade Europeia anunciou recentemente financiamento de ciência e tecnologia em bioenergia. No edital, era obrigatório ter grupos brasileiros, diz Buckeridge. Nós entramos com um projeto conjunto e aparentemente ganhamos, mas ainda não é oficial do lado brasileiro, só do europeu. São € 4 milhões para cada lado. O Reino Unido, por sua vez, montou o programa Renewall, com grupos de pesquisadores de elite, para trabalhar no etanol de segunda geração. As plantas de interesse dos britânicos são o miscanthus e o salgueiro (um arbusto de crescimento rápido em regiões temperadas).

Nesse panorama, os Estados Unidos são um caso à parte. Apesar de já produzir etanol a partir do milho, o país vem desenvolvendo vários projetos para a produção de energia a partir de outras plantas. Buckeridge destaca dois programas. Um é o Energy Biosciences Institute (EBI), com investimento de cerca de US$ 500 milhões da British Petroleum (BP), informa. Eles escolheram as universidade de Illinois, em Indiana, e Berkeley, na Califórnia, para montar laboratórios para realizar as pesquisas.

Outro programa americano importante é o Joint Bioenergy Institute, que tem verba do Departamento de Energia (DOE). No caso americano, as estratégias são muito parecidas com as do Brasil, ou seja, os grupos de cientistas estão se agrupando em centros de pesquisa. Uma grande vantagem deles é o investimento privado, que lá é maciço, diz Buckeridge. Por exemplo, o Dumforth Institute, em Saint Louis, que se dedica à produção de tecnologia de biodiesel para usar em aviões a jato, é um investimento da Rent a Car.