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Clippings - 23/01/26

Projetos de dessalinização atraem indústria offshore

Com o aumento da escassez hídrica, grandes construtores de FPSO unem expertise com empresas de tratamento de água para desenvolver unidades flutuantes de dessanilização que forneçam água potável a atividades industriais e populações costeiras

Unidade flutuante de dessanilização da Oneka Technologies (Foto: Divulgação Oneka Technologies)

Uma corrida tecnológica acelerada pela escassez hídrica provocada por mudanças climáticas está levando grandes grupos com expertises em engenharia offshore e tratamento de água a firmar parcerias para desenvolvimento de projetos de transformação da água do mar em água potável.

A construção de Unidades Flutuantes de Dessanilização (UFDs) ou Unidades Flutuantes de Produção de Água Doce (FPUs, na sigla em inglês) atrai empresas da cadeia de produção de petróleo e gás, como construtores de FPSO, que já estão investindo em projetos para o abastecimento sustentável de atividades industriais, como a própria exploração e produção de petróleo offshore, além do abastecimento de populações costeiras desabastecidas.

Diversas tecnologias estão sendo testadas e já implantadas, como a dessanilização por osmose reversa convencional em unidades flutuantes (Freshwater Production Units), a dessanilização no fundo do mar (Deep-Sea Desalination), Energia das Ondas (Wave-Powered Desalination) ou a Dessalinização Térmica e Solar Avançada (Desoleoanator).

Os desafios são grandes, como o alto consumo de energia, o impacto ambiental do descarte da salmoura e o alto custo. Mas a necessidade impulsiona o surgimento cada vez maior de projetos. Hoje mais de 100 países dependem de projetos de dessanilização, com a rica Arábia Saudita liderando a produção com 33 usinas de dessalinização, fornecendo água para aproximadamente 37 milhões de pessoas.

Parcerias para desenvolvimento de novos projetos

A expertise da engenharia offshore faz com que os grandes grupos da cadeia de produção de exploração e produção de petróleo e gás sejam disputadas em parcerias com empresas especializadas em tratamento de água ou direcionem investimentos para esse segmento.

É o caso, por exemplo, dos grupos SBM Offshore e Veolia, que no último dia 16/1 assinaram Memorando de Entendimento (MoU) para desenvolver e implantar unidades flutuantes de produção de água doce (FPUs), combinando tecnologia de dessalinização por osmose reversa da Veolia com a expertise em engenharia offshore da SBM.

As unidades flutuantes de dessalinização serão capazes de produzir até 100 mil m³ cúbicos de água doce por dia, quantidade equivalente às necessidades de aproximadamente 500 mil habitantes.

Segundo as empresas, a parceria tem como alvo vários segmentos de mercado que enfrentam estresse hídrico agudo, incluindo indústrias que necessitam de suprimentos confiáveis de água doce para redução de impacto ambiental, além de sistemas municipais de abastecimento de água em áreas com escassez hídrica.

Projeto de unidade de dessanilização da BW Elara (Divulgação BW Water)

Em projeto semelhante, a BW Offshore e o Grupo BW criaram em novembro passado uma joint venture (JV) em regime de 50/50, a BW Elara, para projetar e construir Unidades Flutuantes de Dessalinização (UFDs), produzindo água doce a partir de água salgada.

A BW Offshore supervisionará a execução geral do projeto, incluindo a construção do casco, bem como a integração do sistema, e co-investirá juntamente com uma empresa afiliada ao Grupo BW, e a BW Water projetará e construirá a usina de dessalinização utilizando seus sistemas de osmose reversa personalizados.

Mas essa corrida tecnológica não tem só o foco na produção de água, mas também em transformar a água do mar em água doce com o menor impacto ambiental possível. A startup canadense Oneka Technologies, por exemplo, desenvolve sistemas flutuantes de dessalinização que transformam água do mar em água doce com a força das ondas do mar.

Enquanto as grandes usinas de dessalinização costeiras normalmente exigem enormes quantidades de energia para remover o sal, as pequenas unidades de Oneka são movidas exclusivamente pelo movimento das ondas.

Fonte: Revista Brasil Energia

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