Um estudo feito pela Brazil Petroleum Studies (BPS) e a Spectrum/TGS identificou reservatórios com até 450 milhões de boe na Bacia de Pernambuco-Paraíba. O volume é semelhante ao de descobertas como a de Barra, em Sergipe-Alagoas (500 milhões de boe), e Pitu, no Rio Grande do Norte (640 milhões de boe).
A análise, que consistiu no mapeamento de sete prospectos com área variando entre 50 km² e 200 km², concluiu que a maior parte do óleo localizado é leve e está concentrada na seção do Aptiano (época do Cretáceo Inferior), a exemplo das formações de Mundaú-Paracurú, no Rio Grande do Norte e Ceará.
“Ao visualizar as bacias adjacentes, o potencial para descobertas gigantes de óleo leve em Pernambuco-Paraíba não é inferior ao das bacias Potiguar-Ceará ou de Sergipe-Alagoas”, afirma o estudo, que foi apresentado pelo CEO da BPS, Márcio Melo, nesta terça-feira (13/8).
Para o executivo, que é ex-presidente da HRT (atual PetroRio), Sergipe-Alagoas será a próxima grande fronteira exploratória no país. “Em menos de um mês, quatro majors compraram dados de nós”, assinalou.
Promovido pela Spectrum – cuja fusão com a TGS deve ser concluída neste trimestre –, o evento contou com a participação do ex-ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. Ele enxerga nos desinvestimentos da Petrobras no refino uma chance de alavancar as atividades de E&P no Nordeste.
“Acredito que, se a Petrobras conseguir vender a RNEST e a RLAM, haverá uma oportunidade ímpar para a indústria na exploração das bacias de Pernambuco-Paraíba e Sergipe-Alagoas”, observou o atual deputado federal pelo DEM de Pernambuco.
Paulo Mario Correia Araújo, da Ecology and Environment do Brasil – empresa contratada pela ANP para prestar serviços de consultoria ambiental em Sergipe-Alagoas –, chamou atenção para possíveis dificuldades no apoio às atividades na região.
“Qual será a infraestrutura para atender a um potencial tão grande?”, questionou.
Diretor da IHS Markit, Ricardo Bedregal afirmou que a vantagem competitiva do Brasil em águas profundas é “inigualável” e que a percepção de risco do país apresentará melhora nos próximos anos em relação a competidores latino-americanos, como Guiana, Suriname e México.
Segundo o consultor, a exploração offshore brasileira deve atrair US$ 34 bilhões até 2028 para projetos em bacias em diferentes estágios de maturação.
A Bacia de Pernambuco-Paraíba é a única brasileira sem poços perfurados em sua porção marinha. Na 16ª rodada da ANP, agendada para este ano, cinco blocos na bacia serão ofertados: PEPB-M-731, PEPB-M-787, PEPB-M-843, PEPB-M-898 e PEPB-M-900.
Fonte: Revista Brasil Energia