Auditores fiscais da Receita Federal fizeram ontem o Dia Nacional de Paralisação Aduaneira, realizando operação padrão em portos, aeroportos e zonas de fronteira. O movimento é protesto contra mudanças em um projeto de lei que está no Congresso e afeta a categoria, segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional). Em dias normais, a fiscalização das cargas é feita por amostragem. Numa operação padrão, 100% são fiscalizadas. Assim, a liberação pela Receita demora mais, segundo o sindicato, além de aumentar os custos dos importadores com a armazenagem nos locais. Em Ponta Porí, no Mato Grosso do Sul, os auditores fizeram paralisação ontem. Em resposta, caminhoneiros se aglomeraram em frente à Receita Federal na fronteira seca com o Paraguai. Segundo o caminhoneiro Paulo Radeke, 52,em entrevista ao portal G1, a classe está prejudicada pela da demora na liberação de cargas. “Fazíamos de cinco a seis viagens por mês, de São Paulo para Mato Grosso do Sul. Agora estamos conseguindo fazer só uma. Tem caminhão carregado de cerveja que está parado há 25 dias no pátio da Receita Federal e, enquanto isso, o motorista não recebe estadia e perde dinheiro esperando e dependendo dos auditores. Eles estão reivindicando melhores salários, mas no fim do mês eles recebem e a gente, que é dono de caminhão, está ficando sem salário porque somos comissionados”.
REVOLTADOS. O projeto que trata do reajuste e da reestruturação da Receita Federal foi aprovado anteontem pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, e ainda precisa ser discutido pelo Senado. Representantes dos auditores acusam acusa os deputados envolvidos na elaboração do relatório de enfraquecer a Receita ao equiparar suas atribuições às dos analistas fiscais. “A Receita hoje está completamente desorganizada e ingovernável. E isso pode ter reflexos, pode começar a partir desse projeto a ter interferência política nas nomeações de área estratégicas da Receita. O cargo de analista é apenas de apoio”, afirmou o presidente do Sindifisco Nacional, Cláudio Damasceno. O texto prevê aumentos escalonados até janeiro de 2019,quando uma na lista tributário da Receita que estiver no último nível da carreira passará a ganhar R$ 16.276. Atualmente, o salário é de R$ 13.422. Auditores fiscais da Receita e do Trabalho terão salário final de R$ 23.755 na data de publicação da lei, e R$ 27.303 em janeiro de 2019. O atual é de R$ 22.516.(Com agências)