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Clippings - 14/07/17

QGEP avalia novas propostas de farm-out

A QGEP pode não participar das rodadas de licitação deste ano, mesmo após a operação de venda de 10% de sua participação em Carcará para a Statoil, no valor de US$ 379 milhões. Embora a meta seja recompor sua carteira de ativos, a compra de novos blocos nos próximos leilões está condicionada ao fechamento das negociações de farm-out dos blocos FZA-M-90, na Foz do Amazonas, PAMA-M-265 e PAMA-M-337, no Pará-Maranhão, SEAL-M-351 e SEAL-M-428, nos quais detém 100% de participação.

A petroleira vem conduzindo um road-show para o negócio e deu prazo até o fim de agosto para que as empresas confirmem o interesse e apresentem propostas firmes. O CEO da QGEP, Lincoln Guardado, não revela os nomes e número de companhias envolvidas no processo, mas adianta que vem conversando com empresas já presentes no Brasil e novos entrantes.

A meta da empresa é tentar fechar algumas negociações antes do início das novas rodadas. Os projetos que não despertarem interesse nessa primeira fase serão retomados apenas no fim do ano para evitar qualquer possibilidade de competição com as novas licitações.

“Só iremos participar das rodadas se tiver uma diminuição da nossa exposição, é a única forma que poderíamos tentar participar. Estamos razoavelmente bem distribuídos para o curto prazo, com uma carteira exploratória bem diversificada, com médio e baixo riscos. Temos áreas que podem fornecer os volumes de Carcará”, analisa o CEO da QGEP.

A venda parcial dos ativos visa reduzir ainda mais o grau de exposição da companhia ao risco. Sob essa estratégia, Guardado afirma que a empresa está aberta a abrir mão da posição de operadora, já que os ativos em negociação estão localizados em áreas de fronteira, em águas profundas.

Apesar da participação no leilão ainda estar em aberto, um dos focos de atenção da petroleira após a venda de Carcará é a reposição de reservas da sua carteira e busca por novos projetos. A petroleira não descarta a possibilidade de voltar ao pré-sal futuramente. “A busca de crescimento continua, o que talvez a gente faça é num passo menor e não tão dispersos como estamos hoje”, avalia Guardado.

BS-4 em pauta

No momento, a atenção da QGEP está voltada ao primeiro óleo no primeiro trimestre de 2018 do sistema de produção antecipado de Atlanta, campo de óleo pesado descoberto na antiga área do BS-4, localizado em águas profundas da Bacia de Santos, junto com Oliva. Projetado para produzir no pico 70 mil b/d, em 2022, o sistema contará com dois poços firmes e um terceiro extra e será produzido através do FPSO Petrojarl, afretado da Teekay.

Para colocar o SPA em operação, a QGEP terá de investir até o início de 2018 US$ 120 milhões em Atlanta, montante que não inclui os US$ 45 milhões do terceiro poço. O sistema antecipado ficará em operação de três a cinco anos. O projeto definitivo está planejado para 2021.

Com a queda do preço do petróleo os indicadores e os detalhes do projeto vem sendo periodicamente revistos. O plano atual para o projeto definitivo prevê um total de 12 poços, sendo três remanejados do SPA e nove novos.

No que diz respeito ao primeiro óleo de Oliva, campo vizinho também operado pela QGEP, os planos seguem em estágio menos avançado. Segundo a petroleira o campo depende dos resultados do definitivo de Atlanta e sua economicidade tem maior sensibilidade ao preço do óleo.

Carcará

Em apresentação feita a investidores, Guardado ressaltou que um dos principais ganhos da operação é a redução da exposição ao capex futuro, de US$ 21 milhões . O entendimento é que a operação proporciona uma petroleira menor em termos de reserva, mas com maior consistência financeira.

“Carcará é um projeto excelente, mas nossa exposição com ele era alta muito alta. Considerando a participação de 10%, nossa avaliação interna é de que teríamos que fazer um aporte entre US$ 700 milhões e US$ 1 bilhão para o desenvolvimento”, afirma o executivo.

O pagamento dos US$ 379 milhões à QGEP será feito em três etapas, sendo a primeira de 50% após a aprovação do negócio pela ANP, a segunda de 12% após a realização do leilão de unitizáveis e a última de 38% depois da aprovação do acordo de unitização. A estimativa da petroleira brasileira é de que o último recebimento de recursos seja feito daqui a cerca de dois anos.

Antes da oferta apresentada pela Statoil, a QGEP foi sondada por algumas empresas sobre a possibilidade de inclusão de Carcará no processo de farm-out, mas nunca chegou a receber proposta firme pelo ativo. O ingresso da petroleira brasileira no ativo ocorreu em 2011, quando adquiriu 10% da participação da Shell no projeto, pelo valor de US$ 175 milhões.

O aporte de recursos feito pela QGEP no projeto ao longo dos últimos seis anos soma R$ 554 milhões, montante que inclui também o valor pago à petroleira anglo-holandesa.