A consultoria acredita que a busca por novos blocos será um dos principais temas de 2018 na área de exploração. Nos primeiros dias de janeiro o assunto já gerou alvoroço, com o anúncio dos Estados Unidos de colocar quase todas as áreas offshore disponíveis no país em oferta entre 2019 e 2024.
O impacto da decisão é gigantesco, já que, segundo a Rystad Energy, poderá destravar mais de 65 bilhões de boe, além de gerar investimentos exploratórios de US$ 15 bilhões por ano, com uma média anual de 200 perfurações exploratórias.
“Abrir mais áreas terrestres e marítimas para perfurações é um dos pilares do plano do governo Trump para tornar os Estados Unidos um país independente em energia. Neste sentido, o Golfo [do México] é vital para a estratégia de gerar oportunidades econômicas para a indústria, os estados e a comunidade local, além de reduzir nossa dependência do óleo estrangeiro”, explicou Ryan Zinke, Secretário de Assuntos Internos dos EUA.
A maior rodada feita até então pelo país é a que está em andamento no momento, com a oferta de 14.375 blocos, num total de 31,1 mil km2, prevista para ser concluída em março. O país tem ainda mais uma rodada offshore e uma onshore programadas para este ano.
Mesmo com o enorme número de oportunidades nos EUA, a WoodMackenzie acredita que o Brasil (14ª rodada de blocos exploratórios e 4ª rodada de partilha) e o México (fase de águas rasas da 3ª rodada) serão os países que farão os leilões de mais alto nível do mundo no ano. Por isto, também é aguardada com ansiedade a definição do governo brasileiro sobre a possível oferta ao mercado dos excedentes da cessão onerosa, que pode ser um dos maiores leilões do país.
“A competição por áreas de qualidade ficará mais intensa com as majors e outras grandes exploradoras buscando as mesmas oportunidades”, comentou a consultoria.
Para aproveitar o interesse em blocos na região, países vizinhos também anunciaram leilões. O governo do Uruguai, que não realizava ofertas offshore desde 2012, foi à Londres e Houston recentemente buscar investidores para a 3ª rodada, prevista para ser encerrada em abril. Já a Argentina vai leiloar pela primeira vez regiões de águas profundas, com mais de 220 mil km2 disponíveis para propostas em três bacias.
Reposição
O alto número de oportunidades em todo o mundo é visto com bons olhos pelas consultorias do setor, pois havia risco de desequilíbrio entre oferta e demanda nas próximas décadas devido aos baixos investimentos exploratórios dos últimos anos. “O mundo precisa de novas descobertas, já que atualmente consome 79% mais recursos do que descobre”, comentou Sonia Passos, analista sênior da Rystad.
Diversos países que farão rodadas em 2018 há tempos não realizavam ofertas, como é o caso das Ilhas Faroe, protetorado da Dinamarca, que tiveram seu último leilão em 2008. A própria Noruega fará este ano sua primeira rodada de blocos offshore desde 2015, já que nos últimos três anos vinha mantendo em oferta apenas áreas maduras.
A última edição anual do leilão de ativos maduros norueguês, inclusive, cuja oferta foi encerrada em janeiro de 2018, indicou um bom apetite das petroleiras por novos ativos, pois teve recordes tanto em número de áreas concedidas quanto na quantidade de inscritos.
