Preços mais competitivos dão poder de barganha maior diante da renegociação do contrato de importação da Bolívia
O novo cenário de preços do gás natural liquefeito (GNL), com viés de baixa, beneficiará o Brasil, que deverá manter elevados os níveis de compras do combustível frente a um cenário de menor disponibilidade do gás da Bolívia. Além da eventual repetição de um cenário hidrológico adverso, como ocorreu no ano passado, obrigando o despacho de termelétricas para dar conta da demanda de energia.
O diretor analista de Gás e GNL para América Latina do escritório Wood Mackenzie, Mauro Chavez, explicou à BE Petróleo que o contexto mundial de queda nos preços do produto vendido no mercado spot da Ásia, poderá fazer com que o combustível aporte nos terminais brasileiros a um valor que pode variar de US$ 6 a US$ por milhão de BTU. Portanto, bem abaixo dos níveis de setembro, quando o país importou gás liquefeito a US$ 11/milhão de BTU. No total de 2018, o país importou 2 milhões de toneladas do produto.
Para os próximos anos, devem entrar em operação as termelétricas Porto de Sergipe e as usinas do Porto do Açu – GNA I e GNA II – que demandarão mais gás liquefeito e ajudarão a manter os preços baixos.
Além disso, os valores mais baixos do gás liquefeito darão também um maior poder de barganha das distribuidoras na renegociação de contratos de compra com a Petrobras e ao país na renovação do contrato de importação da Bolívia.
Na última segunda-feira (7/1), relatório da Wood Mackenzie, divulgou que os preços do GNL no mercado spot asiático devem chegar a US$ 8,50 por milhão de BTU, com o esfriamento da demanda por parte da China, fazendo com que alguns países da Europa absorvam a grande oferta disponível.
A expectativa é que a entrada em operação dos novos projetos de liquefação em 2019 adicionem mais 60 milhões de toneladas por ano (mmtpa) de GNL ao mercado internacional. Em 2018, diz o estudo, foram adicionados 21 mmtpa e, em 2005, 45 mmtpa.