Mais um contrato de construção, montagem e integração de módulos dos FPSOs do cluster da Bacia de Santos corre o risco de ser interrompido. Dessa vez, a ameaça paira sobre a P-75 e P-77, unidades de produção da cessão onerosa, programadas para entrar em operação em 2016 e 2017, nos projetos de Búzios II e Búzios IV, respectivamente, e que têm os módulos a cargo do consórcio QGI Oil & Gas (Queiroz Galvão/Iesa).
A situação foi agravada há cerca de duas semanas, tendo atingido seu ápice na semana passada. Na última sexta-feira (6/2), o consórcio entregou uma carta à petroleira comunicando que, sem a assinatura de aditivos contratuais, não daria continuidade ao contrato.
O consórcio Queiroz Galvão e a Iesa pleiteava reposições decorrentes de mudanças no escopo do contrato, mas a Petrobras se recusava a formalizar aditivos, já que as duas empresas foram incluídas na lista de bloqueio cautelar, o que impede a assinatura de novos contratos. Procurada para comentar o problema, a Queiroz Galvão não quis falar o assunto.
Os módulos da P-75 e da P-77 seriam montados, integrados e finalizados no Estaleiro Rio Grande. O contrato com o consórcio previa a construção de 19 módulos para cada uma das unidades. A previsão original do cronograma da obra era de que os trabalhos na P-75 tivessem início no segundo semestre de 2015.
A licitação para a contratação dos módulos da P-75 e P-77 foi realizada em 2013. O contrato foi ganho, na ocasião, pelo consórcio QIG, formado pela Queiroz Galvão, UTC, Iesa e Camargo Corrêa, que apresentou o valor total de US$ 1,588 bilhão. Outros seis grupos disputaram a concorrência: Estaleiros do Brasil (EBR), CMO, Enseada Indústria Naval (ex-Estaleiro Enseada do Paraguaçu), Engevix, Jurong e OSX.
A Petrobras vem enfrentando sérios problemas na construção dos 12 FPSOs do cluster de Santos – oito replicantes e quatro da cessão onerosa, programados originalmente para entrar em operação entre os anos de 2016 e 2018. As dificuldades ocorrem tanto na construção dos cascos quanto na montagem e integração dos módulos.
A construção dos cascos dos replicantes está bastante atrasada e a Engevix, empresa responsável pela obra, teve seu principal executivo preso na operação Lava jato, e enfrenta graves problemas financeiros. As obras de construção dos quatro cascos da cessão onerosa também registram problemas no cronograma.
Em novembro, a Petrobras rescindiu o contrato com a Iesa Óleo & Gás para construção dos módulos de compressão de seis dos oito FPSOs replicantes do cluster do pré-sal da Bacia de Santos, destinados aos projetos de Lula Sul (P-66), Lula Norte (P-67), Lula Extremo Sul e Sul de Lula (P-68), Lula Oeste (P-69), Iara Horst (P-70) e Iara NW (P-71). Para garantir a continuidade dos trabalhos, foi lançada, em janeiro, licitação internacional para contratação de um novo grupo para assumir o negócio.