Presidentes da Shell e da Siemens Energy alertam para impactos do desmatamento sobre decisão de investidores
A carta aberta de investidores enviada ao governo federal, na segunda-feira (22/6), acendeu sinal de alerta no setor energético brasileiro, que pode sofrer com a retirada de investimentos no país em razão do desmatamento na Amazônia. Em webinar promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), os presidentes da Shell Brasil e Siemens Energy Brasil, André Araújo e André Clark, expressaram preocupação com a política ambiental brasileira.
Fazendo referência ao documento, o presidente da petroleira anglo-holandesa no Brasil afirmou que o desmatamento ilegal é extremamente preocupante. “O setor privado vai ter que ser mais vocal em relação a temas relevantes que estão acontecendo no presente e impactam o ambiente de decisão de negócios”, declarou.
Para Clark, o Brasil está entrando em talvez uma das maiores crises de imagem externa da sua história recente e as empresas precisam entrar em “modo de emergência” para atrair investidores, que tendem a se afastar do país e a exigir ações no curto prazo. “A questão da Amazônia afeta a todos, e nós estamos sendo cobrados. É muito grave a situação”, assinalou. “Para chegar em 2050, temos que passar pelo segundo semestre de 2020, que vai ser muito grave.”
Entre as políticas públicas pendentes para acelerar a transição energética no país, André Araújo destacou regulações para a utilização das florestas e uma “política efetiva de combate ao desmatamento”.
A Shell é parte da joint venture para criação da Raízen, empresa do setor de bioenergia e biocombustíveis. Em abril, a companhia encaminhou pedido de outorga à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a construção de 13 usinas fotovoltaicas em Brasilândia de Minas e Várzea de Palma, no estado de Minas Gerais. Juntas, as usinas têm potência instalada de 480,7 mil kW.
Já a Siemens Energy – criada em 2019, a partir do desmembramento da divisão Gas & Power da Siemens – oferece produtos e serviços para o setor de energia. Em abril, a empresa firmou contrato com a ADS Energia para a manutenção e operação do Complexo Eólico Corredor dos Senandes, no Rio Grande do Sul.
Fonte: Revista Brasil Energia