Aplicação permite compartilhamento de rastreamento de embarcações entre os órgãos governamentais de países envolvidos na salvaguarda de vida humana no mar. Empresa também enxerga oportunidades de fornecimento de equipamentos e prestação de serviços na área de defesa.
A Radiomar recebeu uma nova autorização da Marinha para realização de serviços relacionados ao sistema LRIT (Long-Range Identification and Tracking of Ships). O LRIT é definido pela SOLAS para compartilhamento de rastreamento de embarcações entre os órgãos governamentais de cada país envolvido na salvaguarda de vida humana no mar. A autoridade de cada país deve contribuir nesta grande base de dados com o rastreamento das embarcações civis classificadas pela Organização Marítima Internacional (IMO) em qualquer lugar do mundo, em intervalos de até seis horas.
Em caso de eventos de busca e salvamento (SAR), a autoridade do local SAR pode solicitar nesta base compartilhada a redução do intervalo de rastreamento das embarcações nas proximidades a até quatro posições por hora. Para ter alcance global, o rastreamento é feito por equipamentos de comunicação por satélite. Os equipamentos de rastreamento das embarcações civis classificadas na IMO precisam ter instalação aprovada pelo ASP (Aplication Service Provider) e passar por teste de performance, que pode levar 48 horas na instalação, e depois periodicamente. A portaria da Diretoria de Portos e Costas (DPC) autoriza a empresa a realizar o teste de conformidade nos equipamentos instalados a bordo de navios de bandeira brasileira, bem como emitir o respectivo relatório de teste de conformidade, até 25 de fevereiro de 2022.
No Brasil, o serviço é comandado pela Marinha e pago pelo armador. “Para ser qualificado como ASP e prestar este serviço a empresa precisa passar por um processo de qualificação na Marinha, com sistemas redundantes de informática para formatar o sinal que vem do satélite e testes de performance com o banco de dados da Marinha, que deve poder comandar a alteração da cadência de rastreamento de qualquer embarcação ou de embarcações em qualquer área sem intervenção de operador”, explicou o diretor na Radiomar, Ed Sander. Ele disse que a empresa é ASP desde 2016.
A Radiomar também enxerga oportunidades de fornecimento de equipamentos e prestação de serviços na área de defesa. Sander destacou que a empresa tem em seu portfólio sistemas de comunicação (rádio e satélite), radares, sondas e demais equipamentos de navegação. “Temos sistemas de vigilância de terra (VTS) e fazemos integração de sistemas. Estamos participando de alguns projetos maiores também”, contou Sander.
No campo da defesa, a empresa tem contrato de manutenção dos sistemas VSAT da Marinha, em Banda Ku e Banda X (de uso exclusivo das forças armadas). Em 2020, a Radiomar vendeu e instalou um sistema dual (duas antenas em redundância) VSAT em Banda-X na nau-capitânia (NAM Atlântico), com integração de sistemas em um rack militar e desenvolvimento de sistema de monitoramento e controle. “Neste ano, ganhamos pregão eletrônico para manutenção nos EPIRBs e SARTs, além de outros pacotes de comunicação e navegação. Na parte de offshore, continuamos com grande participação no mercado de fornecimento de equipamentos e serviços Multisat aos clientes com contrato na Petrobras”, elencou.
Fonte: Revista Portos e Navios
