A recuperação das atividades nos portos brasileiros não chegou com tanta força aos operadores de contêineres. Nesse segmento houve alguma melhora em relação ao que esperavam as empresas no início do ano, mas a expectativa continua negativa e 2009 deve fechar no vermelho.
Richard Klien, presidente do conselho de administração da Santos Brasil, principal terminal de contêineres do país, disse que no porto de Santos a redução de movimentação registrada pela empresa foi de 21% no acumulado de janeiro a setembro em relação a igual perãodo de 2008. Na Multi-Rio, terminal controlado pela família Klien no Rio de Janeiro, a queda foi ainda maior e chega a 23%. Segundo ele, a importação que havia caído muito por força da crise, voltou a crescer com a apreciação do real.
O executivo prevê que a queda nos volumes de contêineres movimentados em 2009 nos terminais nos quais é sócio em Santos e no Rio fique entre 15% e 20% em relação a 2008. No início do ano a projeção para o segmento de contêineres como um todo era de uma redução superior a 20%.
Em março, a previsão era de que o Brasil movimentasse 3,62 milhões de contêineres, com queda de 25% sobre os 4,84 milhões de unidades do ano passado. Klien afirma que a movimentação de contêineres considera as caixas cheias, vazias e a remoção das unidades dos navios. A boa notícia é que a queda nos contêineres cheios, tanto na exportação quanto na importação, é menor, da ordem de 15%, diz presidente do conselho de administração da Santos Brasil.
Gustavo Pecly, presidente-executivo da Libra Terminais, estima que, em média, o segmento de contêineres movimentou entre 18% e 20% a menos de janeiro a agosto em relação a igual perãodo do ano passado. Pecly diz que há um aumento sazonal no setor de contêineres entre agosto e novembro por força do Natal, que puxa as importações. Mas excluído o fator sazonal não há indicadores claros de recuperação na carga conteinerizada, diz o executivo. Os terminais da Libra no porto de Santos tiveram queda de cerca de 18% no volume movimentado de janeiro a agosto na comparação com igual perãodo do ano passado. Já no terminal da empresa no porto do Rio a redução no mesmo perãodo foi da ordem de 10%.
Ainda não é possível dizer que haverá uma recuperação (que permita compensar parte dessa queda) até o fim do ano, disse Pecly. A velocidade de recuperação, segundo ele, é lenta. A estimativa da Libra é que só em 2011 os volumes voltem aos patamares de 2008, quando em Santos a empresa movimentou 575 mil contêineres e no Rio, cerca de 140 mil. Em Santos o volume (movimentado pela Libra) em 2009 deve ficar pouco abaixo de 500 mil unidades e no Rio torcemos para chegar a 130 mil, disse o executivo.
No Porto de Suape, em Pernambuco, a realidade para os operadores de contêineres não é diferente. Entre janeiro e agosto, foram movimentados em Suape 148.431 contêineres, 18% menos que no mesmo perãodo de 2008. De julho para agosto, no entanto, foi observado um crescimento de 24%, com 25.543 contêineres movimentados.
Com relação ao tipo de carga, o chamado granel líquido acumula queda de 10% nos oito primeiros meses do ano em Suape, com 2,378 milhões de toneladas movimentadas. Já entre julho e agosto foi verificado salto de 8,3%. No caso do granel sólido, foram movimentadas 440.584 toneladas no acumulado do ano, queda de 11%. Em agosto, no entanto, o crescimento foi de 189%, para 132.621 toneladas.
Apesar dos volumes menores no acumulado do ano, o número de navios que operaram no porto pernambucano aumentou 11% em relação aos oito primeiros meses de 2008, com 748 embarcações. (FG e MC)