Os dirigentes da navegação estão bastante agitados nesse início de ano. Têm feito seguidos contatos com a Casa Civil, para ver se aprovam melhoria no Registro Especial Brasileiro (REB) até abril, quando a ministra Dilma Roussef irá deixar o cargo para se candidatar à sucessão de Lula.
Todos sabem que é difícil reduzir as pesadas contribuições para o INSS, mas estuda-se um sistema em que os ganhos extras, pagos no exterior, poderiam ficar parcialmente de fora do furor arrecadatório da entidade previdenciária. Outra idéia é aplicar a taxa de tonelagem (tonnage tax), ou seja, fazer com que lucros da navegação no exterior sejam pagos por taxa fixa, por navio – e não com base no lucro real. A base das discussões está no fato de que, em relação à construção naval já há bastante apoio e, agora, deve-se tentar reduzir os custos de operação para os armadores.
De início, pensava-se em usar verba do Fundo de Marinha Mercante para fortalecer a operação dos armadores brasileiros no exterior, mas, com a atual carência de recursos, o FMM tem recebido verba da União para poder atender a suas necessidades – como os R$ 11 bilhões liberados por Lula no fim do ano passado. Assim, tornou-se mais difícil usar recursos do histórico fundo criado por JK em 1958 e que só não foi extinto por Collor de Mello por reação do Congresso.
O Brasil não dispõe de sequer um navio porta-containeres fora de suas fronteiras. As recentes compras aos estaleiros têm sido de plataformas, barcos de apoio à operação de petróleo e petroleiros – que de certa forma independem do mercado, uma vez que a Petrobras fixa margens de rentabilidade para sua subsidiária Transpetro. Uma das poucas exceções está nos cinco navios encomendados pela empresa de cabotagem Log In.