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Clippings - 22/01/18

Recuperação também em terra

Enquanto no exterior as discussões tecnológicas do E&P onshore estão focadas na operação digital e internet das coisas, no Brasil o foco ainda é tirar mais óleo do subsolo e a um custo menor. Embora esteja se desfazendo de ativos em terra, a Petrobras investe para aumentar o fator de recuperação dos reservatórios e reduzir os custos de produção, utilizando técnicas avançadas.

A companhia está focada em tentar extrair o potencial máximo dos campos que continuam sob sua operação, mesmo com a perspectiva de se desfazer de vários ativos onshore para focar no pré-sal.

“Tais tecnologias serão empregadas nos campos terrestres que a Petrobras vai manter operando e aumentarão ainda mais o valor dos ativos maduros que eventualmente serão vendidos”, explicou a companhia por meio de sua assessoria de imprensa.

Hoje, estão em estudo na petroleira técnicas de injeção de polímeros e injeções cíclica e contínua de vapor. Métodos de perfuração alternativos de poços e perfis de saturação também são tecnologias bem vistas, já que ajudam a otimizar investimentos nas áreas de desenvolvimento e podem viabilizar aumento de atividades em campos maduros.

Recentemente, mais de duzentos poços da companhia no Rio Grande do Norte e Bahia receberam tratamento para reduzir a produção de água e maximizar a produção de óleo. Algumas das iniciativas em curso no momento estão na Bacia Potiguar, como a implantação de bombas especiais no campo de Alto de Rodrigues para viabilizar operações em altas temperaturas nos poços com injeção à vapor, além da instalação de aquecimento elétrico nos poços do campo de Serra, com o objetivo de aumentar a produção de petróleo viscoso.

“A otimização dos custos é fator preponderante para a viabilização destas diversas técnicas”, explicou a companhia.

Desenvolvimento

A venda de ativos da Petrobras também cria expectativas para a chegada de novas tecnologias de exploração e produção no país. A expectativa é que a distribuição dos ativos entre outros operadores ajude a criar demanda em escala por iniciativas que já estão em andamento em outros países, mas ainda têm altos custos de aplicação aqui.

“Fundamentalmente, para que tenhamos mais tecnologia, precisamos de operadores mais fortes.Talvez com o processo de desinvestimento e o aumento de escala de alguns produtores independentes isso venha a se expandir”, assinala Marcelo Magalhães, presidente da Associação Brasileira de Produtores Independentes (Abpip).

No exterior, as discussões já estão em outro patamar. Uma das tendências é a chamada internet das coisas. A operação digital dos campos é vista como uma porta para o aumento de produtividade e otimização, pois as operações contam com menos pessoas e há menor necessidade de deslocamentos.

Isso é possível, por exemplo, por meio do controle remoto da produção e acompanhamento de perfurações em tempo real. Tais tecnologias estão baseadas no uso de sensores, que ajudam as empresas a ter mais conhecimento sobre suas próprias operações.

“É uma questão importante, mas ainda tem economicidade a ser provada e, nas circunstâncias atuais, muito embrionária na indústria onshore no Brasil, principalmente por questão de escala. Aqui, essa mão de obra ainda é cara”, comenta Magalhães sobre a possibilidade de trazer as novas técnicas para o país.

Vale lembrar que nos Estados Unidos, o desenvolvimento das tecnologias de produção em terra viabilizou o “boom” dos não convencionais, que transformou o mercado local e mundial de óleo e gás.

Fonte: Revista Brasil Energia