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Clippings - 16/08/23

Refinaria em Pecém voltará até 80% da produção para combustíveis marítimos

A Noxis Energy obteve, na última quinta-feira (10), a aprovação de licença prévia para para a implantação de uma refinaria na zona de processamento de exportação (ZPE) do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará. A Refinaria de Petróleo Pecém (RPP) tem previsão de entrar em operação no primeiro semestre de 2027. A Noxis estima um potencial de mercado de aproximadamente 5 milhões de toneladas/ano para consumo na costa do Nordeste e do Norte do país, que movimenta US$ 3 bilhões/ano. A expectativa é que até 80% da produção da refinaria seja de combustíveis marítimos com baixo e ultra baixo teor de enxofre.

A avaliação da empresa é que existe uma demanda por bunker nessa região do Brasil, mas não existe oferta. A ideia é transformar o Porto do Pecém num hub de abastecimento para embarcações na costa leste sul-americana (ECSA), com atendimento inclusive de embarcações de longo curso, que seguem para a América do Norte, Europa e África. O CEO da Noxis Energy, Gabriel Debellian, ressaltou que, mesmo tendo foco na produção de combustíveis marítimos, a refinaria espera atender 100% do consumo de diesel e 60% do consumo de gasolina no Ceará.

Metanol
Outro objetivo dos empreendedores é, numa fase mais avançada da RPP, oferecer o abastecimento de metanol para os navios atualmente em construção e que serão movidos a esse tipo combustível, que vai praticamente zerar a emissão de CO2 no modal marítimo. A produção da refinaria contará com sistema de captura do CO2 emitido no processo de refino, para que possa ser utilizado como matéria-prima para a fabricação de metanol.

A empresa negocia com uma multinacional o fornecimento de tecnologia para a instalação de uma planta específica de produção de metanol conectada à refinaria. A planta de metanol da RPP deverá produzir também o metanol azul e metanol verde ao utilizar o hidrogênio verde que será produzido por outras empresas no Hub de H2V do Complexo do Pecém.

“Temos estudado e pensamos que o combustível do futuro, que atenderá a pegada de carbono e enxofre, será o metanol”, disse Debellian à Portos e Navios. Ele explicou que o Brasil hoje importa 100% do metanol que consome, inclusive, para a fabricação do biodiesel. A Noxis também estuda a implantação de uma biorefinaria para a produção de bioquerosene de aviação a partir da soja produzida no Piauí.

Debellian destacou que a refinaria será preparada para a produção de combustíveis renováveis e será alinhada com o processo de transição energética. O projeto da RPP foi desenvolvido pela Noxis Energy e tem como acionistas o grupo Eitan Aizenberg, de Israel, e a Ariel Participações, formada por investidores brasileiros e estrangeiros.

A Noxis dará início ao projeto executivo da refinaria e prevê começar a preparação da área que vai receber a refinaria até dezembro. A fase do projeto executivo tem duração estimada de 10 meses e investimento aproximado de R$ 56 milhões. Paralelamente, a diretoria da empresa dará sequência à negociação do financiamento global do projeto, da ordem de R$ 10 bilhões.

A Noxis avalia que o valor se justifica pelo projeto de uma refinaria moderna, com uma proposta alternativa ao modelo tradicional de refino, pois não será apenas um equipamento para atender às atuais necessidades de combustível marítimo e outros tipos de combustível no Ceará e em outros estados das regiões Norte e Nordeste. O terreno do empreendimento possui 106,6 hectares e está localizado no setor 2 da ZPE do complexo do Pecém.

Debellian contou que a ideia do projeto da RPP começou a se desenvolver em 2015, a partir das discussões sobre a resolução da Organização Marítima Internacional (IMO) relacionado à redução de enxofre, e culminou na a criação da empresa em 2018. A Noxis cogitou levar o projeto para Sergipe, porém entendeu que o porto local não teria capacidade de dar suporte à operação de recepção diária de 100.000 barris de petróleo.

A Noxis possui uma carta de intenção com a trader Bunker One relacionada à compra de todo combustível marítimo produzido na refinaria por 10 anos. A Noxis também possui uma carta de intenção com a PPSA. “Esperamos que, até lá, a PPSA já esteja vendendo o produto diretamente no mercado. Colocamos a carta de interesse de fazer um contrato de 10 anos de compra de petróleo. Vamos esperar a legislação do governo e como a PPSA vai agir”, adiantou.

Debellian acrescentou que, a partir de janeiro de 2025, a navegação pelo Mar Mediterrâneo, deverá ser feita por embarcações com combustível com, no máximo, 0,1% de teor de enxofre. Os navios que não forem movidos a diesel de ultra baixo teor de enxofre ou a metanol, que não contém enxofre na composição, terão que pagar taxas adicionais pela pegada de carbono.

Ele destacou que o projeto da refinaria é moderno e atenderá uma região carente atualmente, já que a maior parte das refinarias da Petrobras está nas regiões Sul e Sudeste. Ele considera que, mesmo a refinaria Abreu e Lima (PE) dobrando a produção, não será suficiente. A expectativa é que, a cada 10 dias, 1 milhão de barris desembarquem na refinaria. O transporte deverá ser feito por navios aliviadores, classe Suezmax, com 170.000 toneladas de capacidade. “Vamos cobrir um ponto (Ceará). Se houver condição de expandir, a gente expande”, afirmou.

Fonte: Revista Portos e Navios