BUENOS AIRES – A petroleira espanhola Repsol aprovou hoje em reunião de seu conselho de administração a proposta do governo da Argentina para pagar a expropriação de 51% da YPF, feita em abril do ano passado, em “ativos líquidos” do Estado.
De acordo com um fato relevante enviado pela Repsol à Bolsa de Madrid, o conselho “avalia positivamente o princípio de acordo anunciado pelo governo argentino “ e em função disso “a Repsol decidiu iniciar a curto prazo conversações a fim de buscar uma solução justa, eficaz e efetiva para a controvérsia”.
Nem o governo argentino e nem a empresa mencionam valores envolvidos, mas as edições de hoje dos jornais espanhóis “El País” e “El Mundo” mencionam que a proposta seria de US$ 5 bilhões, em títulos do governo da Argentina.
O acordo envolveria a retirada dos processos abertos pela Repsol contra a Argentina no tribunal arbitral do Banco Mundial, que somam US$ 10,5 bilhões.
A Repsol informou em seu comunicado que irá contratar um banco de investimentos para assessorar a empresa na negociação.
“O processo deverá atender às exigências que exige a complexidade própria de um assunto relevante e responder aos termos e garantias apropriadas para assegurar sua eficácia”, diz o texto.
O comunicado expôs divergências entre os acionistas da empresa. Embora a negociação da Argentina tenha sido aprovada por unanimidade, a mexicana Pemex, dona de 9,34% da Repsol, votou contra o último item da pauta da reunião, uma moção de apoio à gestão estratégica da direção da companhia, “conforme as melhores práticas do governo corporativo”.
A YPF é a maior empresa argentina, com faturamento anual da ordem de US$ 18 bilhões.