Arquivo/Divulgação
O CEO da Águas Azuis, Fernando Queiroz, afirmou que o nível de requisitos dos itens do programa para obtenção das fragatas classe Tamandaré (PFCT) são semelhantes ou até superiores aos de itens já fornecidos pela Thyssenkrupp a países que participam da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Em evento com fornecedores locais, na semana passada, Queiroz destacou que, no contrato firmado com a SPE, a Marinha do Brasil exige alto nível de disponibilidade operacional, ressaltando que, em muitos itens, a indústria nacional não deixa nada a desejar para produtos similares internacionais. O executivo também sugeriu que as empresas da base industrial naval e de defesa do Brasil tenham uma visão ampla das oportunidades geradas por esse programa a longo prazo.
Queiroz salientou que todo o ciclo das quatro fragatas contratadas será abrangido pelo programa, desde a concepção até o descarte ao final da vida útil. A visão, segundo ele, reúne oportunidades que podem ser exploradas no navio inteiro, por etapas: conceito, desenvolvimento, produção, testes, operação, manutenção, operação e descomissionamento. De acordo com o porta-voz da SPE, o cronograma iniciado a partir da assinatura do contrato, há cerca de um ano, se encontra na fase de desenvolvimento de engenharia e detalhamento de requisitos de sustentabilidade e de apoio logístico e já se aproxima da data de início da construção. Após a finalização, os navios passarão por testes e provas de mar.
Ele acrescentou que o contrato prevê uma ‘licença perpétua’ que permite a construção de outros navios para a Marinha do Brasil, com potencial de exportação de navios, conforme estratégias futuras, o que pode beneficiar toda a cadeia produtiva nacional, além de dar maior autonomia ao Brasil e possibilitar possíveis exportações. Queiroz ponderou que o contrato em vigor prevê a construção de quatro fragatas e lembrou que o ex-comandante da Marinha, Ilques Barbosa Junior, em outras oportunidades, sinalizou para a possibilidade de construção de novos navios. O estaleiro Brasil Sul (SC) tem área de aproximadamente 310.000 metros quadrados de área e capacidade de construção de quatro a seis embarcações por ano.
Queiroz comparou que o sucesso da Embraer na exportação de aeronaves está relacionado a uma demanda que não fica restrita às necessidades da Força Aérea Brasileira (FAB). Ele considera que o êxito daquele grupo advém de uma visão estratégica quanto à necessidade gerada, ao conhecimento e ao produto com nível internacional para poder ganhar mercado internacionalmente, gerando volume para diversidade da produção. “Para se ter volume e garantir alto nível de conhecimento e tecnologia desses produtos, é normal que empresas com base internacional — como a MAN e Raytheon — forneçam para diversas fontes”, exemplificou, durante o evento, que contou com representantes de fornecedores locais no estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), promovido pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron).
De acordo com o CEO da SPE Águas Azuis, o programa reúne oportunidades distribuídas, desde o pequeno fornecedor até grande fornecedor de sistemas. A expectativa é que o projeto fortaleça a indústria do Rio de Janeiro, assim como de outros estados, como Santa Catarina, onde o estaleiro construtor está instalado, além de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, que já possuem itens selecionados ou pré-qualificados pelo construtor e/ou pelo estaleiro. Desde outubro de 2020, a SPE oferece em seu site um cadastro para fornecedores interessados.
Ficha técnica (Fragatas Classe Tamandaré)
Comprimento: 107 metros;
Calado: 5,2 m;
Boca: 15,95 m;
Velocidade: Consegue desenvolver velocidades acima de 25 nós;
Transporte: poderá carregar lancha, transportar helicóptero e contêiner padrão;
Motores: 4 (diesel e diesel completo);
Alcance: em torno de 5.500 milhas náuticas a 14 nós;
Autonomia: Aproximadamente 28 dias em alto-mar;
Tripulação: Até 136 pessoas a bordo;
Deslocamento leve: 2,8 mil/t;
Deslocamento cheio: 3,5 mil/t;
Fonte: Revista Portos e Navios
