A Petrobras retomou, na última sexta-feira (14/6), a venda da Araucária Nitrogenados (Ansa) e da Unidade de Fertilizantes III (UFN-III), após a decisão que suspendia o processo ser revogada pela 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro.
Desde setembro de 2017, quando seu teaser (etapa de divulgação de oportunidade) foi lançado, o processo foi suspenso duas vezes: a primeira, em julho de 2018, por uma decisão cautelar do Supremo Tribunal Federal, e a segunda, em maio deste ano, por uma liminar emitida pela Justiça Federal do Rio de Janeiro.
Agora, o desinvestimento volta à fase vinculante, etapa em que os interessados classificados recebem cartas-convite com instruções detalhadas, incluindo as orientações para a realização de due diligence e para o envio das propostas vinculantes.
A venda dos dois ativos, que será feita conjuntamente, chegou a ser negociada em maio do ano passado com o conglomerado russo Acron, um dos principais produtores de fertilizantes minerais na Rússia e no mundo, mas a operação não foi concluída.
A situação financeira dos empreendimentos à venda não é das melhores. Segundo o relatório financeiro mais recente da Ansa, a fábrica em Araucária (PR) registrou um prejuízo de R$ 96 milhões no primeiro trimestre deste ano, cerca de 53% maior em relação ao mesmo período do ano passado.
“A companhia vem apresentando perdas recorrentes em suas operações, devido paradas não programadas, gerando deficiência de geração de caixa, a qual vem sendo suprida pelo suporte financeiro dos seus acionistas” afirma a Ansa no relatório.
As perdas aconteceram mesmo com o maior faturamento no trimestre: foram R$ 4 milhões entre janeiro e março de 2019, alta de 38% em comparação com o mesmo período de 2018.
A situação da UFN-III, em Três Lagoas (MS), é mais complicada. Com 81% de avanço físico, a construção está paralisada desde dezembro de 2014, depois que a Petrobras rescindiu o contrato de construção e operação da unidade com o consórcio UFN3, composto pelas empresas GDK, Sinopec Petroleum do Brasil e Galvão Engenharia.
Na época, a Petrobras alegou que o consórcio havia descumprido o contrato, avaliado em R$ 3,1 bilhões, e informou que refaria o cronograma para garantir a conclusão das obras, iniciadas em 2011.
Mais tarde, em novembro de 2017, a Justiça Federal do Mato Grosso do Sul acusou dois ex-presidentes e seis ex-diretores da Petrobras, além do consórcio UFN3, de desvio de verba pública em relação a supostas irregularidades nas obras da fábrica.
Fonte: Revista Brasil Energia