Os investimentos de mais de R$ 15,9 bilhões previstos em obras para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, junto com as descobertas de petróleo na camada do pré-sal, devem fazer com que o
Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) do estado do Rio de Janeiro cresça a
taxas superiores que as do PIB brasileiro nos próximos quatro anos – enquanto a economia fluminense
avançará ao ritmo de 4,3%, 5,1%, 4,7% e 4,9% deste ano até 2016, a economia brasileira como um todo
crescerá 2,4%, 3,3%, 2,7% e 2,8%. Os dados são de estudo do Itaú Unibanco, que faz uma radiografia
detalhada da economia fluminense e que será divulgado a clientes e investidores em breve.
De acordo com o estudo, a economia fluminense já vem crescendo acima da nacional há dois anos – avançou
4,4% em 2011 e 2,5% no ano passado, contra altas de 2,7% e 0,9% do PIB brasileiro, respectivamente.
Como o último dado do PIB por estados disponível é o de 2010, os números relativos à atividade do estado
também são projeções do Itaú Unibanco. De qualquer forma, esse ritmo mais acelerado de expansão
econômica deve fazer com que o Estado do Rio aumente sua fatia no PIB brasileiro, que é de cerca de 11%.
– O Rio está muito bem posicionado em termos de crescimento para os próximos anos. Por isso, o estado tem que ficar atento para que as oportunidades geradas por essa conjunção de fatores favoráveis sejam bem
aproveitadas. Porque essa é uma grande oportunidade de o Rio se colocar num patamar diferente, bem melhor do que o que esteve nos últimos anos – diz Caio Megale, economista do Itaú Unibanco que coordenou o estudo.
Se a indústria do petróleo aparece como importante ponta de lança do crescimento econômico local, os dados
compilados pelo Itaú Unibanco mostram que o setor de serviços é o que mais contribui para o crescimento do
PIB em termos de valor adicionado bruto – que é o da produção de riqueza menos o dos bens intermediários –
com participação de 72,9% do total de riquezas geradas no estado.
O estudo revela que 15% das empresas de serviços do país estão no Rio e que o setor emprega mais da
metade (53,2%) dos trabalhadores formais do estado. Entre os segmentos de serviços, os que mais
contribuem à geração de riquezas são o comércio (com 13,3% do valor adicionado bruto do setor), aluguel
(12,9%) e a administração pública (24,9%). O Rio, diz o estudo, concentra também 13,7% do pessoal
ocupado na atividade de turismo, chegando a 23,5% quando se considera toda a região Sudeste.
A forte participação dos setores de petróleo e siderurgia é citada pelo estudo como propulsora do dinamismo
econômico fluminense. A indústria hoje responde por 26,6% do PIB estadual e emprega 12,7% dos
trabalhadores formais do estado.
Contribui para o potencial de negócios do setor o fato de no estado estarem situados três dos dez maiores
portos do país – Itaguaí, Rio e Macaé. O principal é o Porto de Itaguaí, responsável por 9,7% de tudo que é
exportado pelo país, e por 57,21% do óleo bruto de petróleo exportado, observa o estudo, acrescentando
que por Itaguaí também chegam 28,2% do petróleo importado. O Porto do Rio tem participação de 3,6% nas
exportações totais brasileiras e de 2% dos embarques de óleo, ao passo que por Macaé passam 33,8% do
petróleo exportado.
O estudo destaca a força da indústria siderúrgica fluminense. O estado do Rio é o segundo maior produtor de aço do país, com a presença de grandes empresas siderúrgicas nos municípios de Volta Redonda, Barra
Mansa, Resende e Rio (bairro de Santa Cruz). Com 30,6% da produção nacional de aço, o Rio só fica atrás
de Minas Gerais, que produz 32,5% do total. São Paulo, o terceiro no setor, tem fatia de 16,3% na produção
nacional de aço.
Com relação às indústrias de construção de embarcações e de apoio à extração mineral, o estado
representa quase a totalidade da produção na região Sudeste (99,2% e 93,3%, respectivamente e boa parte
do setor no país (45,7% e 77,8%, respectivamente), diz o estudo.
Nosso cenário de longo prazo é que os investimentos (na exploração do pré-sal) chegarão ao patamar de
US$ 26,5 bilhões em 2020, com uma produção de 1,9 milhão de barris por dia, diz o estudo.
As atividades de extração mineral respondem por 29,3% da produção industrial. Nada menos que 85% das
reservas de petróleo localizadas no mar estão no Rio de Janeiro, que conta com as bacias de Campos e de
Santos, produtoras da camada do pré-sal, destaca o estudo, acrescentando que o estado ainda responde por
52,4% da produção marítima de gás natural.
Para Megale, economista e coordenador do estudo, as concessões da área de petróleo garantem uma maior
estabilidade à atividade produtiva do Estado do Rio, por estar menos exposta às condições da conjuntura
interna e internacional.
– Por isso, o estado pode ser menos afetado pelo cenário internacional mais incerto como o atual, o que o
deixa em melhores condições – diz Megale.
Diferentemente dos setores de serviço e da indústria extrativa, que puxam a economia, fluminense, a
agricultura é pouco representativa como fonte de geração de riqueza do estado. De acordo com os dados do Itaú Unibanco, o agronegócio tem participação de apenas 0,5% no Valor Agregado Bruto (VAB) do estado – a indústria responde por 26,6%, e os serviços, 72,9%.
Destacam-se na agricultura fluminense as produções de tomate e abacaxi, que dão ao estado o quinto e sexto posto entre os maiores produtores nacionais desses itens.
O estudo cita ainda as cultura de cana-de-açúcar e mandioca, que embora tenham pouca representatividade
diante da produção nacional, são produtos com peso importante na produção agrícola do estado, respondendo por 27% e 15%, respectivamente.
Na pecuária, o estudo do Itaú Unibanco identifica um dado curioso: o destaque fica por conta do rebanho de
coelhos, que corresponde a 6% do total nacional.
Os demais rebanhos do estado têm participação menor do que 2% do total nacional, diz o estudo, listando
as seguintes criações e suas fatias no rebanho nacional: bovino (1%), equino (2,1%), avícola (1,1%) e codornas (1,6%).