No Brasil – e no mundo do petróleo – só se fala nos negócios gerados pela Petrobras. A estatal anunciou investimento de US$ 174,4 bilhões de 2009 a 2013 e agora se prevê que, de 2010 a 2014, o valor fique entre US$ 200 bilhões e US$ 220 bilhões, como esta coluna antecipou. A empresa precisa de muita coisa: 28 navios-sonda, mais de 300 barcos de apoio e um volume de plataformas que pode chegar a 80. Fora a criação de ilhas para escoar a produção do longínquo pré-sal, tubos, usinas de gás, helicópteros e muito mais. A Transpetro está encomendando 49 navios e opera 102. O presidente da Transpetro, Sergio Machado, prepara o Promef III, nova leva de encomendas. Através do projeto EBN, a Petrobras se compromete a alugar navios de privados por longo prazo, o que representará encomenda superior a dez navios.
Há alguns anos, o Rio detinha 96% da construção naval – mas o setor estava prestes a fechar as portas. Hoje, o panorama é diferente. O pernambucano Atlântico Sul recebeu 22 encomendas da Transpetro e, a seu lado, será levantado um segundo estaleiro. Projeta-se o Eisa-Alagoas e o Ceará – se vencer as disputas políticas entre o governador e a prefeita da capital, ganhará um estaleiro – já com encomendas de mais de meio bilhão de dólares. Um ou dois grandes estaleiros devem ficar na Bahia, enquanto o Rio Grande do Sul já tem W. Torre e receberá a unidade da Wilson, Sons. São Paulo não é forte em estaleiros, mas fornece máquinas e equipamentos e a estatal pretende comprar 435 árvores de Natal molhadas, para instalação nos poços marítimos e 8.000 km de tubos.
Nos últimos anos, junto com o renascimento do setor, houve uma espécie de diáspora naval e o Rio de Janeiro perdeu expressão relativa. No entanto, como no caso dos royalties, o governador Sérgio Cabral – tendo ao lado o secretário de Indústria, Júlio Bueno – entrou em cena de modo decisivo. Viabilizou o estaleiro Inhaúma, ex-Ishibrás e ex-IVI-Caju. Apesar de todos os novos investimentos, o dique do Caju é o maior do Brasil e de lá saíram Tijuca e Docefjord, recordistas em tonelagem. A volta do Caneco (Rio Nave) também é bem-vinda. Eike Batista promete fazer um estaleiro no Norte Fluminense.
Além disso, os sobreviventes da crise estão bem vivos: o Brasfels, ex-Verolme, anda a todo vapor; o Mauá terá a honra de lançar, dia 10, o segundo navio dos 49 encomendados pela Transpetro. Sob o comando do pioneiro Manuel Ribeiro Gonçalves, o Eisa, ex-Emaq, de German Eframovich/Sinergy, é um sucesso e, dia 27, lançará ao mar o maior porta-contêineres do país, para a Log-In. O ex-Promar, hoje STX, tem encomendas de US$ 800 milhões.
O presidente do Sindicato da Construção Naval (Sinaval), Ariovaldo Rocha, costuma dizer que o setor vive um Eldorado. O Brasil está se beneficiando dessas obras, de Norte a Sul. O Rio, após perder algumas oportunidades, volta a brigar pelos empregos gerados pelos gastos da Petrobras. Verdade seja dita: em meio a tantas ações polêmicas, o presidente Lula mudou radicalmente a política da Petrobras: em vez de contratar plataformas na Ásia e alugar navios gregos, impulsionou o setor de modo fantástico.