O pouco interesse na primeira rodada de licitação de blocos exploratórios no México não deve ser repetido na 13ª rodada brasileira, afirmam especialistas. A frustração no leilão mexicano foi causada não somente pela baixa no preço do barril – o que fez as petroleiras diminuírem investimentos em novas áreas –, mas também pela baixa atratividade das regiões oferecidas, todas localizadas em águas rasas.
“O resultado não foi uma grande surpresa, as empresas estão descapitalizadas e o mercado não está promissor. Mas também há dúvidas se a atratividade do leilão foi suficiente para os grandes investidores”, afirma Haroldo Lima ex-diretor geral da ANP.
Das 14 áreas ofertadas, somente seis receberam ofertas e apenas duas foram arrematadas. Nas outras quatro áreas, os índices oferecidos estavam abaixo dos exigidos pelo governo. Em geral, somente empresas de pequeno e médio porte apresentaram propostas, sendo que as vencedoras de ambas as áreas pertenciam ao mesmo consórcio, formado entre Sierra Oil and Gas, Talos e Premier Oil. Das majors pré-classificadas para rodada – Statoil, Chevron, Exxon e Total se cadastraram sozinhas, enquanto BG entrou em consórcio com a Galp – somente a Statoil realizou uma oferta.
“Ontem foram oferecidos apenas blocos de águas rasas, que normalmente não interessam às grandes companhias de petróleo”, explica Pedro Zálan, geólogo da ZAG consultoria. Ele, contudo, acredita que nenhuma das regiões em oferta este ano no México oferece ameaça à 13ª rodada brasileira. “O tipo de companhia que se interessa por essas áreas não é a mesma que vai ter interesse no Brasil. Enquanto o México não oferecer blocos de águas profundas, não haverá concorrência entre os leilões”, afirma.
A primeira rodada mexicana foi dividida em três fases. Enquanto nas duas primeiras fases são oferecidos blocos em águas rasas – 14 na primeira, que ocorreu ontem e outros cinco na segunda, prevista para setembro –, a terceira parte oferecerá 26 áreas terrestres em dezembro.
Brasil atraente
Edmar de Almeida, do Grupo de Economia de Energia da UFRJ, no entanto, acredita que a rodada mexicana compete com a brasileira, pois ambos os países estão na mesma região geográfica e ofertaram áreas no offshore. Entretanto, o ambiente do Brasil continua sendo mais atraente: “Aqui o ambiente de negócios já é conhecido. No México, o nível de incerteza é elevado em relação a aspectos institucionais e ao desconhecimento da geologia do país”, afirma.
Almeida acredita que a 13ª rodada não deve ter o mesmo sucesso de leilões anteriores, como a 11ª, em termos de concessão de blocos e arrecadação de bônus, mas, ainda assim, deve ser melhor do que a México.