Continua repercutindo nos mercados internacionais a queda da cotação do barril do petróleo cru (cerca de US$ 60) e suas consequências. O conceituado “Financial Times”, da imprensa londrina, admite que a redução do preço do barril poderá inviabilizar futuros investimentos envolvendo o combustível, avaliados em US$ 1 trilhão. Se assim acontecer, o mundo ficaria privado de 7,5 milhões de barris/dia de petróleo em produção nova, nos próximos 10 anos, o equivalente a 8% da demanda mundial.
Nas suas conclusões o jornal sugere que o excedente de oferta, principal causa da redução dos preços, pode, no curto prazo, impedir que as grandes empresas petroleiras realizem investimentos de elevado valor, os quais são básicos para futuros suprimentos de petróleo, óleo combustível e produtos petroquímicos.
O petróleo do tipo “Brent”, referência no mercado internacional, teve reduzido o preço em mais de 45% desde o mês de junho até agora, devido à grande produção do óleo extraído de xisto betuminoso nos Estados Unidos, de maior produção do cartel liderado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), e também pela fraca demanda na Europa e na Ásia.
O Goldman Sachs estudou 400 campos petroleiros e de gás natural no mundo, muitos dos quais aguardam soluções definitivas sobre os investimentos cogitados. A análise baseou-se no preço de US$ 70 por barril de petróleo e uma produção diária de 2,3 milhões de barris em 2020, a qual, pelo preço atual, se tornaria antieconômica.
As perspectivas sobre o preço futuro do barril refletem-se mais intensamente na Rússia e na Venezuela. Ambas são muito dependentes das receitas obtidas a partir do petróleo. Nesse conjunto de preocupações, a Opep se destaca, liderada pela Arábia Saudita, adotando a estratégia de deixar que o preço do barril continue a cair, prejudicando outros concorrentes.
Os países do Oriente Médio têm um custo de produção barato, entre US$ 5 e US$ 10 por barril, de tal forma que possuem condições suficientes para permitir que os preços caiam, conforme vem acontecendo, afirmou David Zylbersztanj, ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP).
As preocupações dos governos da Rússia e da Venezuela são absolutamente procedentes, pelo que representam os ganhos que têm com a produção de gás natural e petróleo, fatores de suma importância para as respectivas economias.
Frise-se, finalmente, que 96% d receita em dólar da Venezuela sí resultantes de ambos os produtos tanto que a redução do preço d barril já forçou o presidente Nicolá Maduro a anunciar um corte de 20% nas despesas públicas. São portanto, as duas nações mais ameaçadas pela queda do preço d barril de petróleo no mercado internacional, na hipótese de o preço do barril continuar caindo.