
As sanções do Ocidente e o êxodo em larga escala de parceiros estrangeiros do setor de petróleo e gás russo vão impactar os investimentos do país em upstream, que poderá ver uma queda de 30% em 2022, de acordo com uma pesquisa feita pela Rystad Energy e publicada na quarta-feira (30).
Neste ano, os investimentos em upstream estão estimados em US$ 35 bilhões, 30% menor em comparação aos US$ 50 bilhões previstos antes da invasão da Ucrânia pela Rússia. O número previsto também é abaixo do que foi reportado nos anos mais críticos da pandemia de Covid-19 até o momento: US$ 45 bilhões em 2021 e US$ 40 bilhões em 2020, e a tendência é de que esses valores permaneçam moderados até, pelo menos, 2025.
De acordo com a consultoria, a estagnação dos investimentos levará a uma queda nas decisões finais de investimento (FIDs) de projetos, obrigando os operadores a tomarem decisões difíceis sobre seus gastos. As gigantes russas Gazprom e Rosneft conseguirão manter seus investimentos em torno dos níveis vistos em 2021, mas outros players verão uma queda significativa nesses números.
Outro fator relevante que limita os investimentos russos é o atraso no comissionamento de grandes projetos de GNL por cinco ou seis anos devido a restrições tecnológicas e de financiamento à medida que os parceiros ocidentais se retiram. A Gazprom, por exemplo, havia alinhado o desenvolvimento de vários campos de gás e condensado na região de Yamal, enquanto a Novatek estava ativamente envolvida em seu projeto Arctic LNG 2 (do qual a TotalEnergies anunciou a sua saída em abril deste ano).
Agora, após nove meses da guerra russo-ucraniana, apenas alguns desses projetos devem ser iniciados antes de 2025. “A guerra na Ucrânia custou caro ao setor de petróleo e gás russo, com os investimentos em projetos sofrendo um impacto significativo. As interrupções relacionadas à Covid em 2020 reduziram os gastos, mas este ano parece ser o início de uma queda de vários anos que tornará os anos da Covid ‘pálidos’ em comparação”, afirmou Swapnil Babele, analista sênior da Rystad Energy, segundo o comunicado.

Além da queda dos investimentos upstream, a Rússia deve enfrentar problemas para driblar os embargos europeus e transferir as exportações de petróleo da Europa para a Ásia. De acordo com uma análise da S&P Global, enquanto alguns países “pesam riscos e incertezas”, outros já se voltam aos fornecedores do Oriente Médio e África – como é o caso da China, por exemplo, que tem sido o principal parceiro comercial dos russos.
Fonte: Revista Portos e Navios