
A Seacrest Petróleo está prestes a concluir a contratação de três sondas para conduzir a sua primeira campanha de perfuração. Com previsão de início das atividades no primeiro trimestre de 2023, a empresa deve fechar o negócio até o final de outubro, disse o VP de Desenvolvimento, Guilherme Santana, ao PetróleoHoje.
A campanha será direcionada à perfuração de novos poços infill no Polo Cricaré, onde a empresa detém 25 campos terrestres – eram 27, mas os campos Fazenda Cedro Norte e Fazenda Queimadas foram anexados ao campo de Fazenda Cedro -, e no Polo Norte Capixaba, onde a Seacrest espera assumir a operação de quatro concessões até o final do ano. Neste último, poços exploratórios também será perfurados.
Atualmente, a companhia possui duas sondas de workover em operação. A terceira deve chegar até o final do ano. Segundo o executivo, serão contratadas mais três unidades para realizar atividades de intervenções de poços, sendo duas para o Norte Capixaba. No total, serão cinco sondas de workover e três de perfuração.
“Em 2022, focamos na reabertura dos poços. A partir de 2023, vamos iniciar uma campanha de perfuração agressiva”, disse Santana.
A Seacrest pretende alcançar a produção diária de até 30 mil barris nos próximos três anos. Com fator de recuperação (FR) médio de 17% nos campos do Polo Cricaré e 21% no Polo Norte Capixaba, a empresa mira um FR de 25 a 30%. “Nossos campos possuem FR bem baixo quando comparados com outros ativos que foram vendidos pela Petrobras. Temos capacidade, competência e infraestrutura para alavancá-los”, afirmou o VP.
Por sua vez, o VP de Operações da empresa, Juan Alves, disse que a ideia é replicar o aumento da produtividade do Polo Cricaré no Polo Norte Capixaba. Atualmente, o custo médio de produção por barril está no patamar de US$ 32. “É preciso aumentar a curva de produção para gerar escala e reduzir o custo médio”, pontuou Juan.
Exportação de óleo
A Seacrest pretende utilizar o Terminal Norte Capixaba, polo que possui cinco tanques de recebimento de petróleo e condensado, cada um com capacidade para 16.160 m³, para exportar o óleo produzido nos dois ativos. Por enquanto, o produto está sendo comercializado diretamente com a Petrobras.
A empresa está estruturando o business plan do terminal, que antes era usado pela Transpetro apenas em operações de cabotagem. A instalação, contudo, ainda não está alfandegada. O processo está sendo realizado junto à Receita Federal. A ideia da petroleira é atuar como um “carregador-proprietário”.
“Seremos os primeiros operadores independentes a exportar óleo”, revelou Guilherme Santana. Em sua avaliação, “há um mercado sedento por esse tipo de óleo [pesado, mas com baixo teor de enxofre]”.
Olhar sobre o Brasil

Para Michael Stewart, presidente da Seacrest, o Brasil está posicionado como um supridor confiável de energia para o Ocidente em meio à turbulência geopolítica. De acordo com o executivo, o Espírito Santo, onde estão concentradas as atividades da empresa no país, tem uma orientação política pró-mercado, o que gera um ambiente favorável para realizar negócios.
“Temos o objetivo de entregar o máximo valor aos nossos investidores a partir desses ativos, gerando desenvolvimento econômico e social para as comunidades locais. Queremos produzir hidrocarbonetos com baixo teor de carbono”, garantiu.
Fonte: Revista Portos e Navios