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Clippings - 30/11/09

Seguro e falta de fornecedor são entraves

Principal financiador da indústria naval, por meio do Fundo de Marinha Mercante, o BNDES identificou dois grandes entraves para o setor produzir no país de modo competitivo: a falta de uma cadeia completa de fornecedores de peças e o problema das garantias de crédito.

O BNDES estudou o setor, dentro do contexto de toda a cadeia da indústria petrolífera, e mapeou os ramos que precisam de apoio com financiamento, capital de giro e eventualmente injeção de capital nas companhias em troca de participação acionária.

Os produtores desses bens estão na lista: conexões, caldeiras, compressores, motores a diesel e a gás, guindastes, válvulas e serviços de engenharia, construção e montagem.

Outros fabricantes nem sequer estão instalados no Brasil e sem eles não é possível atender ao pré-sal prioritariamente com produtos brasileiros. Nesse rol, estão os produtores de compressores, de motores de grande porte para embarcações, de turbinas a gás e de instrumentação.

Executivos de estaleiros ouvidos pela Folha concordam que o grande gargalo é mesmo a falta de peças produzidas no país -o que traz preços melhores de componentes e ganhos de produtividade. Os estaleiros são atualmente meros montadores de navios. O único item que é produzido no país em larga escala é o aço naval, mas mesmo assim só por um produtor, a Usiminas.

Uma das reclamações é justamente o alto preço do aço cobrado pela empresa, o que levou a Transpetro a importar aço da China, da Ucrânia e da Coreia.

Segundo Antonio Carlos Tovar, chefe do Departamento de Transporte e Logística do BNDES, a indústria naval brasileira tem grande potencial e crescerá na esteira do pré-sal, mas ainda está longe de ser um setor maduro.

Diante disso, segundo ele, o setor precisa ganhar escala de produção. O primeiro passo, avalia, foi dado com a demanda assegurada no longo prazo graças às encomendas da Petrobras. O boom do setor se sustenta nas encomendas de 42 navios da Transpetro, 28 sondas de perfuração da Petrobras e mais de 100 navios de apoio.

O BNDES estuda ainda uma forma de melhorar as garantias dos empréstimos ao setor, com a criação de um mecanismo de seguro de crédito.

O banco sofreu, nos anos 80 e 90, com a quebradeira de estaleiros e o calote deles. Diante disso, o financiamento passou a ser concedido ao dono da embarcação, e não mais ao construtor.

Ainda assim, é preciso, diz o BNDES, um mecanismo de seguro para cobrir atrasos, quebras de estaleiros e prejuízos no decorrer da construção -que, no caso de uma plataforma, pode levar até três anos.